segunda-feira, 3 de março de 2014

ANTE A MORTE VIOLENTA

                                                    Emmanuel

Em verdade, no mundo, o túmulo imposto à pressa é daquelas provas terrenas que mais dilaceram o coração.

Diante das vidas nobres que se interrompem, de improviso, dolorosas indagações são endereçadas ao Céu.

Não raro, à frente da morte súbita, outras existências promissoras começam a fenecer.

São almas que ficam na retaguarda, carregando consigo o esquife dos sonhos mortos ou algemados ao rochedo da angústia, sem coragem de romper os grilhões que as encarceram no sofrimento.

Muitas vezes desvairadas, recusam a oração ou renegam a fé.

Asseveram-se sozinhas no temporal das próprias lágrimas e, por vezes, descem, desavisadas, nos mais graves desequilíbrios do pensamento.

Entretanto, é preciso que o entendimento que nos caracteriza no mundo se submeta aos juízos soberanos e sábios da morte, para que a nossa temporária permanência no corpo físico não fuja à condição de aprendizado.

Imprescindível lembrar que na engrenagem da civilização de agora, comumente reparamos os próprios erros de ontem.

Entre as máquinas que lhe reduzem as lides e obrigações, muita vez encontra o homem o corretivo e o reajuste, a paz e a liberação da própria alma.

Auxilia aos entes queridos que partiram da Terra, em luta repentina, ofertando-lhes à estrada o bálsamo precioso da consolação e da prece.

Recorda que a Misericórdia Celeste adoça todos os processos da justiça universal e reconforta-lhe na certeza de que Deus faz sempre o melhor.

Contempla as vítimas dos hábitos infelizes, tantas vezes mergulhados nas sombras da obsessão.

Observa os que choram nos sepulcros da consciência culpada e que se debatem no inferno do remorso e do arrependimento, sem comiseração para consigo mesmos!

Reflete nos quadros tristes a se erguerem das provas necessárias e conserva contigo a paciência e a esperança de quem recebe na dor inesperada o socorro oculto da Providência Divina.

Se o gládio da morte violenta te busca o lar, faze silêncio e confia-te ao tempo, o médico invisível que nos restaura as energias do coração.

Não blasfemes, nem desesperes.

Aguarda o Amparo Celestial, mantendo a certeza de que tudo aquilo que hoje ignoras, amanhã saberás.

Do livro: Mais Perto. Psicografia de Francisco Cândido Xavier.

ANTE A CARIDADE

                                                       Emmanuel

Provavelmente não nos será difícil exercer a caridade do plano exterior, canalizando o supérfluo,em benefício do companheiro necessitado.

A moeda generosa, o agasalho para o corpo e o pão dividido, tanto quanto a visitação direta aos irmãos sofredores constrangidos à comunhão com a enfermidade e a penúria, constituem expressões de bondade edificante que não nos cabe esquecer em tempo algum.

Entretanto, não,olvidemos a difícil caridade do mundo interno.

Saibamos oferecer o prato invisível da tolerância aos que se deixaram vencer pela irritação ou pela cólera.

Distribuamos a água pura da humildade aos que se fizerem vítimas da vaidade e do orgulho.

Temos amigos e parentes na furna do ódio ou da ilusão que devemos buscar, sem alarde, com os nossos melhores testemunhos de carinho. Possuímos afeições e laços valiosos que desceram a escuros chavascais do desequilíbrio, que não podemos relegar ao abandono.

Há muita gente que padece fome em pleno banquete da vida material e sofre sede, à frente de preciosos mananciais terrestres.

Aprendamos a ajudá-los com o nosso trabalho e com a nossa fé.

Todos sabem dar.

Raros, porém, sabem dar de si mesmos.

Não te esqueças do auxílio em forma de segurança e de estímulo que podes oferecer aos que te cercam, através das demonstrações do dever bem cumprido, da solidariedade, da cooperação e da paciência.

Cultivando pequenos sacrifícios, amealhamos o tesouro do amor.

Jesus é o nosso Divino Modelo.

Depois de dar-se à terra na Manjedoura, socorreu a Humanidade na solução de aflitivos problemas, completando a lição da caridade, oferecendo-se ao mundo, nas tribulações da cruz – o excelso ensinamento do qual, ainda hoje, estamos recebendo a luz imperecível na laboriosa romagem da própria libertação.

Do livro: Mais Perto. Psicografia de Francisco Cândido Xavier.

domingo, 2 de março de 2014

ANALISEMOS

                                                      Emmanuel

Em te referindo aos afortunados, lembra-te de que o sofrimento dos ricos não se encontra no ouro que lhes abastece as arcas, mas sim no desvairado apego aos recursos amoedados com que muitos deles se encarceram na sombra.

Não olvides, ainda, o valor substancial que flui do dinheiro generosamente aplicado, na gota de leite à criancinha menosprezada, no remédio ao enfermo sem ninguém, no socorro aos irmãos infelizes que estagiam em padecimentos acerbos e no agasalho aos que tiritam de frio para que o companheiro do mundo, algo podendo dar, te encontre a frase estimulante e amiga a incentivar-lhe o passo nas boas obras.

Em te reportando à cultura intelectual, recorda que não é a instrução a infelicidade dos espíritos orgulhosos, mas, sim, a lamentável super-estimação de si mesmo que lhes sitia a existência na cegueira da vaidade.

Não te esqueças, ainda, dos bens infinitos que vertem, constantemente, das fontes da educação, no devotamento do professor que ilumina o santuário da escola; na ciência do médico que sana a enfermidade; no conhecimento do técnico que te assegura o trabalho; e na abnegação do escritor reto e nobre que te preserva a cabeça contra os detritos da ignorância, para que o companheiro do mundo, algo podendo ensinar, se veja amparado em tua palavra reedificante, fazendo-se valoroso operário na sementeira da luz.

Não condenes, a ninguém, explanando sobre o ministério do Cristo que a todos nos reuniu na mesma construção de solidariedade e de amor.

Isso, porque o progresso real não prescinde de todos os ingredientes valiosos à exaltação da vida, na qual é preciso elevar o coração à altura do cérebro e horizontalizar o cérebro no plano do coração, para que, pensando e sentindo, possamos aprender amando e amar aprendendo, com o justo equilíbrio a orientar-nos a senda para a Vida Maior.

Do livro: Mais Perto. Psicografia de Francisco Cândido Xavier.

sábado, 1 de março de 2014

O ESPÍRITA E O CARNAVAL

Muitos espíritas, ingenuamente, julgam que a participação nas festas de Momo, tão do agrado dos brasileiros, não acarreta nenhum mal a nossa integridade psico-espiritual. E de fato, não haveria prejuízo maior, se todos pensassem e brincassem num clima sadio, de legitima confraternização. Infelizmente, porém, a realidade é bem diferente. Vejamos, por exemplo, as conclusões a que chegou um grupo de psicólogos que analisou o carnaval, segundo matéria publicada já há algum tempo no Correio Brasiliense, importante jornal da Capital da República:

“(...) de cada dez casais que caem juntos na folia, sete terminam a noite brigados (cenas de ciúme, intrigas, etc.); que, desses mesmos dez casais, posteriormente, três se transformam em adultério; que de cada dez pessoas (homens e mulheres) no carnaval, pelo menos sete se submetem a coisas que abominam no seu dia-a-dia, como o álcool e outras drogas (...). Concluíram que tudo isto decorre do êxtase atingido na grande festa, quando o símbolo da liberdade, da igualdade, mas também da orgia e da depravação, estimulado pelo álcool leva as pessoas a se comportarem fora de seus padrões normais (...)”.

Um detalhe importante que, provavelmente, eles não sabem, é que no plano invisível a turma do astral inferior também se prepara e vem aos magotes participar dos folguedos carnavalescos. Na psicosfera criada por mentes convulsionadas pela orgia, os espíritos das trevas encontram terreno propício para influenciar negativamente, fomentando desvios de conduta, paixões grosseiras, agressões de toda a sorte e, ainda, astuciosas ciladas. No livro “Nas Fronteiras da Loucura”, psicografado por Divaldo Pereira Franco, são focalizados vários desses processos obsessivos, sobre pessoas imprevidentes, que pensavam apenas em se divertir no carnaval do Rio. Mostra também o infatigável trabalho dos espíritos do bem, a serviço de Jesus, procurando diminuir o índice de desvarios e de desfechos profundamente infelizes.

Só por essa amostra já dá pra ver como é difícil, para qualquer cristão, passar incólume pelos ambientes momescos. Por maior que seja a sua fé, os riscos de contrariedades e aborrecimentos são muito grandes. Fiquemos, portanto, com o apóstolo Paulo, que dizia “tudo me é lícito, mas nem tudo me convém”. (I Cor. 6,12).

Pedro Fagundes Azevedo

A M O R

                                                    Emmanuel

Não olvides que o Amor é à base de nossa sustentação nos menores passos da vida.

Ele abarca em si todos os recursos da própria natureza em que te desenvolves, alimentando-te o ser e abençoando-te os dias.

Observa no Sol que mantém a estabilidade do mundo...

No mundo que te oferece o pão da subsistência...

No ar que te assegura o alento corpóreo...

No alento corpóreo que te garante o aprendizado...

Palpita na experiência que te auxilia o crescimento espiritual e ampara-te com o obstáculo que é medida de tua força...

Brilha nos dons que te conferem esperança e consolo, na palavra que te ensina, no amigo que te socorre, no companheiro que te levanta e no adversário que é sempre um valioso instrutor no campo da experiência...

Pelo amor, entraste na Terra e lhe desfrutas os bens, por ele trabalhas e te devotas à construção do futuro, dele aguardando a vitória que te polariza os sofrimentos e os sonhos...

Junto dele, ergueste o templo do lar, tecendo os elos suaves da família consangüínea em que te consagras à luta redentora e, com ele, penetrarás o segredo maravilhoso do sacrifício, esquecendo a ti mesmo, em favor daqueles que te povoa o coração...

É o amor à luz que te arrebatará ao assédio das sombras, a verdade que te dissipará as ilusões e o braço amigo que te conduzirá às eminências da grande Vida.

Não permitas que semelhante bênção cintile apenas em teu pensamento ou em tua boca...

Responde ao Amor que te ama em todos os ângulos do caminho, servindo aos outros infatigavelmente, e, mais cedo do que possas presumir, será tua alma por ele convertida em rutilante estrela, refletindo-lhe o brilho eterno...

Livro: Mais Perto. Psicografia de Francisco Cândido Xavier.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

AMANDO OS INIMIGOS

                                                      Emmanuel

"Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem..." -

Jesus. (Mateus, 5:44).

Sem liberdade é impossível avançar nas trilhas da evolução, mas fora do entendimento que nasce do amor, ninguém se emancipa nos caminhos da própria alma.

Seja onde seja e seja com quem for, deixa que a simpatia e a compreensão se te irradiem do ser.

Em qualquer parte onde palpite a vida, eis que a vida para crescer e aperfeiçoar-se roga o alimento do amor, tanto quanto pede a presença da luz.

De muitos recebes o apoio da bondade e outros muitos aguardam de ti semelhantes auxílio.

Da faixa dos benfeitores recolhes a bênção para transmiti-lo na direção dos que te não aceitam ou desajudam.

Nessa diretriz, os adversários, quaisquer que eles sejam, nunca te prenderão a desespero ou ressentimento.

Se surgem e atacam, abençoa-os com a justificativa fraterna ou com o pronto-socorro da oração. Entretanto, pensa, acima de tudo, na condição infeliz em que se colocam e compadece-te em silêncio.

Esse, por enquanto, não consegue desalojar-se do ergástulo da opinião individual; aquele, acomoda-se no azedume sistemático; outro descambou para equívocos dos quais, por agora, não sabe se afastar; aquele outro sofre sob a hipnose da obsessão; e aquele outro ainda está doente e talvez exija tempo longo, a fim de recuperar-se.

Entregarmos-nos à mágoa diante dos que perseguem e caluniam, é o mesmo que nos ajustarmos voluntariamente à onda de perturbação a que encadeiam.

Sob o granizo da ignorância ou da incompreensão, segue trabalhando, a servir sempre.

Observa os inimigos do bem e os agressores da renovação e, em lhes percebendo a sombra, condoer-te-ás de todos ele.

Faze isso e sempre que te pretendam agrilhoar ao desequilíbrio, a compaixão te libertará.

Do livro: Mais Perto. Psicografia de Francisco Cândido Xavier.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

ALÉM DA TERRA

                                                       Emmanuel

Depois da morte do corpo:

A frase amiga que houvermos proferido no estímulo ao bem será um trecho harmonioso do cântico de nossa felicidade.

A opinião caridosa que formulamos, acerca dos outros, converter-se-á em recurso de benignidade da justiça divina, no exame dos nossos erros.

O pensamento de fraternidade e compreensão, com que nos recordamos do próximo, transformar-se-á em fator de equilíbrio.

O gesto de auxílio aos irmãos do nosso caminho oferecer-nos-á sublime colheita de alegria.

Mas, igualmente, além túmulo:

As maledicências, a que nos entreguemos, será espinheiro a provocar-nos dilacerações e feridas;

A nossa indiferença para as amarguras do próximo aparecerá por geleira, dificultando-nos os passos;

A nossa preguiça surgirá como sendo um gerador de penúria espiritual;

A nossa crueldade exibir-nos-á,na tela da consciência, a constante repetição dos quadros infelizes de nossos delitos, compelindo-nos à aflitiva demora em escuras paisagens purgatoriais.

A morte é o retrato da vida.

A verdade revelará na chapada memória as imagens que estiveres criando, sustentando e movimentando, no campo da existência.

Se desejas ventura e tranqüilidade, além das fronteiras de cinza, semeia, enquanto é tempo, a luz e a sabedoria que pretendes recolher, nas sendas da ascensão maior.

Hoje - plantação, segundo nossa vontade.

Amanhã - seara, conforme a lei.

Se agora cultivamos a sombra, decerto encontraremos, depois, a resposta das trevas.

Se, porém, semeamos o amor e a simpatia, onde encontramos, indiscutivelmente, mais tarde, penetraremos, ditosos, nos domínios da luz.

Do livro: Mais Perto. Psicografia de Francisco Cândido Xavier.