segunda-feira, 18 de março de 2013

CONSTRUINDO AFEIÇÕES

     É comum algumas pessoas ao conhecerem alguém, que instantaneamente surge afinidade, imaginar que esta ligação é antiga remontando a outras existências.

Já vi várias vezes isso acontecer. Há uma espécie de entusiasmo, uma ligação que se faz com o seguinte cálculo: Conversa agradável + Ideias semelhantes = Amigo de existência pretérita.

Parece que isso de certa forma as deixa mais próximas. É um amigo de outras épocas, dizem empolgadas com a semelhança das idéias. E colocam-se a imaginar quais as situações que já vivenciaram junto àquela alma recém apresentada pela vida.

Quando o assunto vai para o lado do relacionamento romântico as coisas tendem a tomar uma proporção ainda maior: Encontrei minha alma gêmea, ou, a “tampa da panela”, exclamam os mais entusiasmados.

Porém, vamos verificar se isso é uma regra, ou seja, se toda afinidade provém de ligação anterior, em fonte segura: a Doutrina Espírita. O que diz o Espiritismo? É possível reencontrar almas que já conhecemos de outras existências?

Obviamente que sim. Podemos, claro, reencontrar espíritos que já estiveram junto a nós. Todavia, tanto podem ser almas simpáticas como almas antipáticas. No entanto, vale considerar ponto importante: não é porque surgiu a afinidade automática e as idéias se encontraram que, necessariamente, já conhecemos de outras existências determinadas pessoas. Não é bem assim que funciona e os Espíritos, quando indagados por Kardec na questão 387 de O livro dos Espíritos sobre se a simpatia vem sempre de uma existência anterior, responderam:

“Não. Dois Espíritos que se compreendem procuram-se naturalmente, sem que necessariamente se tenham conhecido em encarnações passadas”.

Pois bem. A resposta é bem clara e auxilia-nos a desmistificar essa questão de que se há afinidade é porque havia o conhecimento de outra existência. Nada disso. As almas afins, que vibram em sintonia semelhante procuram-se e encontram-se sem necessitarem terem se conhecido antes.

Não há passaporte para a construção de novas amizades!

O mais interessante disso tudo é a possibilidade de estarmos ampliando nossa família espiritual ao estabelecermos contatos com os mais diversos Espíritos que habitam o universo.

Novas amizades, pessoas diferentes a nos estimular o desenvolvimento e o progresso...



Artigo de Wellington Balbo

domingo, 17 de março de 2013

SEMEADURA PROMISSORA


É bastante comum professores reclamarem das dificuldades em sala de aula, com crianças e jovens mal-educados e agressivos.

Alguns chegam a se tomar de tristeza, admitindo que, por mais invistam nos alunos, eles parecem permanecer exatamente do mesmo tamanho.

Talvez fosse esse também o pensamento daquela cansada professora. Dava graças a Deus por estar aposentada.

Com a perna esquerda a lhe doer, de forma quase constante, problemas com pressão arterial e tonteiras, pensava:

Não tenho mais energia para ensinar, hoje em dia.

Dirigindo-se para a fila do caixa do supermercado, ela não pôde deixar de olhar para o casal à sua frente.

A mulher estava grávida e quatro crianças a rodeavam. O que chamou a atenção da professora foi a tatuagem no pescoço do rapaz.

Ele esteve preso, pensou.

Observando-o um tanto mais, viu as calças largas, a camiseta branca e o cabelo raspado.

Deve fazer parte de uma gangue, disse para si mesma.

Então, ele se voltou para ela. Sorriu e insistiu para que ela passasse à frente.

Não, disse a professora. Vocês estão com crianças.

Devemos respeitar os mais velhos, defendeu-se o homem.

E fez um gesto largo, indicando o caminho para ela.

Um sorriso meio desajeitado chegou aos lábios dela. Era bom encontrar um cavalheiro, afinal.

E dizer que pensara tão mal dele. Julgara-o pela aparência. Intrigada, virou-se para ele, enquanto os itens de sua compra eram registrados pela atendente e perguntou:

Diga-me uma coisa, rapaz: quem lhe ensinou boas maneiras?

O rapaz abriu um sorriso, olhou-a nos olhos e afirmou:

A senhora, sra. Simpson, na terceira série.

A toda semeadura existe uma colheita. Quem semeia vento, colhe tempestades, diz o ditado popular.

E Jesus, enaltecendo a semeadura, narra a Parábola do Semeador que saiu a semear.

Isso nos diz que importante se faz a semeadura. A semeadura dos bons exemplos, do bom ensino.

Mesmo quando se possa pensar que a semente caiu sobre pedregulhos, ou terreno inculto, existe esperança.

Porque, às vezes, é equivocada a nossa observação. Quando as crianças parecem estar alheias a todo ensino, ainda assim absorvem as sementes.

Logo mais ou em tempo distante, rebentarão em grãos e frutos.

Por isso, não nos cansemos de semear, de falar o bem, ensinar o correto.

Mais que tudo, exemplifiquemos sempre. Porque, em síntese, todos somos educadores, mesmo sem atentarmos para isso.

A nossa delicadeza agradecendo ao atendente no comércio, a gentileza cedendo o lugar ao outro, o sorriso e um pedido de desculpas por esbarrão involuntário, tudo está sendo visto por alguém.

E servirá de exemplo. Exemplo que contagia.

Assim, em qualquer lugar, ensinemos sempre. Aos nossos filhos, aos nossos alunos, aos colegas de repartição, aos amigos.

Em meio à pressa de que o Mundo parece estar pleno, pare para ajudar alguém.

Ceda sua vez no trânsito, espere com paciência, não aumente o rol dos reclamantes e resmungões.

Seja você o que semeia tranqüilidade em meio à confusão. O que emita uma palavra de serenidade, quando os outros se apresentam inquietos.

Onde quer que vá, espalhe as suas sementes de paz, de delicadeza, de gentileza.

Muito antes que você possa imaginar, perceberá no campo verdejante da sua comunidade, as flores aparecerem e os frutos se apresentarem.

Acredite nisso!
Redação do Momento Espírita com base no cap. Boas maneiras, de Paul Karrer, do livro Histórias para aquecer o coração, de Jack Canfield, Mark Victor Hansen e Heather McNamara, ed. Sextante.

sábado, 16 de março de 2013

DIVINA PRESENÇA

Quando você nasceu na Terra, parecia um pássaro semimorto que a tempestade arremessara numa praia esquecida.

Então, apareceu uma imensa ternura num coração de mulher.

Pelas mãos maternas você foi lavado e alimentado milhares de vezes.

Simplesmente por amor.

Você cresceu forte.

Quando o véu da ingenuidade infantil envolvia sua cabecinha, os professores se deram conta da sua inteligência. E a alimentaram com as primeiras letras e com toda a riqueza que a escola proporciona.

Você se tornou jovem.

E no vigor da sua juventude, a despreocupação era a tônica dos seus dias.

Foi então que amigos notaram o seu caráter de nobreza nos gestos e direcionaram a sua jornada para as bênçãos do trabalho.

Você se enriqueceu de experiência.

Na madureza, a enfermidade veio lhe fazer uma demorada visita.

Quando todos já imaginavam que você partiria para a grande viagem, médicos diligentes estenderam o remédio eficaz e a força sublime que havia dentro de você venceu a doença.

Recuperado, você retornou às lides.

Então houve horas de incompreensão, pressões profissionais, situações de desconforto, criadas pela inveja e pela calúnia.

Nessas horas, em meio às lágrimas doridas, você pôde ouvir canções de conforto, conclamando-o à esperança e à alegria.

Passou o tempo. Dobraram-se os anos.

Por onde quer que você siga, percebe a luz invisível que clareia os seus pensamentos.

Se você sofre, é o apoio que chega.

Se você erra, é a voz que corrige. Se você teme ou vacila ante inusitada situação, é o braço que sustenta.

Se você se encontra mergulhado em solidão, é a companhia que consola.

Em todos os momentos da sua vida, dos primeiros vagidos aos da atualidade, em qualquer circunstância, você depende desse alguém.

Falamos de Deus, nosso Pai, a quem devemos aprender a amar e respeitar, pois nos encontramos Nele como o fruto na árvore.

Ele nos sustenta e Sua seiva nos dessedenta.

E mesmo que tudo pareça contra nós, abandonados ou incompreendidos pelos afetos, sofrendo os golpes da adversidade mais rude, nunca estaremos distantes da presença de Deus.

* * *

Deus nos proporciona momentos diversos para enriquecermos nosso Espírito.

Assim, a presença da enfermidade é momento para meditação sobre a fragilidade orgânica.

A manifestação da saúde é momento de agir no bem, valorizando-a.

O ensejo da oração é momento de iluminação interior.

A hora da provação é momento de resgate libertador.

Pensemos nisso e aproveitemos todos os momentos como dádivas de Deus.

Redação do Momento Espírita, com base no cap. 44 do livro Justiça Divina, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. Feb e no prefácio do livro Momentos enriquecedores, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal.

sexta-feira, 15 de março de 2013

O LIVRO ESPÍRITA


Muitas duvidas existem hoje com relação ao trato e cuidados que devemos ter para com os livros e as demais publicações espíritas. Devemos ou não publicar tudo que vem dos espíritos? É adequado ter em nossas bibliotecas espíritas todo tipo de livros supostamente psicografados? Quais os critérios e parâmetros verdadeiramente espíritas que devem ser considerados?

Temos uma contribuição do Codificador que já nos coloca em alerta, quando diz: (...) “No mundo invisível como na Terra, não faltam escritores, mas os bons são raros” - (Allan Kardec, Revista Espírita, 1863, maio.), vendo que ele estabelece suas considerações envolvendo escritores encarnados como os respectivos espíritos.

Deve haver responsabilidade por parte dos dirigentes, editoras e administradores de bibliotecas e livrarias ditas espíritas na aceitação das obras, para que não venhamos a divulgar em nome do espiritismo, informações que possam plantar dúvida em seus leitores.

Novamente temos de Allan Kardec uma valiosa informação: “É preciso que se saiba que o Espiritismo sério se faz patrono, com alegria e apresso, de toda obra realizada com critério, qualquer que seja o país de onde provém, mas que, igualmente, repudia todas as publicações excêntricas. Todos os espíritas que, de coração, vigiam para que a Doutrina não seja comprometida, devem, pois, sem hesitação, denunciá-las, tanto mais porque, se algumas delas são produtos da boa-fé, outras constituem trabalho dos próprios inimigos do Espiritismo, que visam desacreditá-lo e poder motivar acusações contra ele. Eis porque, repito, é necessário que saibamos distinguir aquilo que a Doutrina Espírita aceita daquilo que ela repudia” - (Allan Kardec, Viagem Espírita em 1862. Instruções Particulares. VI.), nessas palavras temos clareadas prováveis dúvidas do comportamento que devemos ter diante da literatura dos imortais.

Os próprios escritores muitas vezes se incomodam com o rigor de algumas editoras no processo de avaliação, entretanto são cuidados que devem agradar o espírita comprometido como vemos na orientação que segue: (...) “Todas as precauções são poucas para evitar as publicações lamentáveis. Em tais casos, mais vale pecar por excesso de prudência, no interesse da causa” - (Allan Kardec, Revista Espírita, 1863, maio). A Doutrina Espírita é portadora de uma mensagem de absoluto valor e inestimável objetivo para os destinos do planeta e deve ser tratada como tal.
 
Chamamos atenção também para os avaliadores dos livros adquiridos pelos “Clubes do Livro” e para distribuição, não podendo deixar que o valor de comercialização do livro, seu preço, seja determinante no processo de escolha contrapondo com a mensagem que ele traz, quando o preço é o fator determinante, comprometemos nossa postura como espíritas e negligenciamos aos compromissos abraçados, como podemos ver: “Inferimos que a proporção deve ser mais ou menos geral. Por aí pode julgar-se da necessidade de não publicar inconsideradamente tudo quanto vem dos Espíritos, se quiser atingir o objetivo a que nos propomos, tanto do ponto de vista material quanto do efeito moral e da opinião que os indiferentes possam fazer do Espiritismo”. (Allan Kardec, Revista Espírita, 1863, maio.)

Como o próprio nome já diz, se as obras de Allan Kardec, trazidas por espíritos superiores são chamadas “básicas” é por que devem ser a base para tudo o que virá, garantindo a pureza das informações que nos chegam. Comparar o conteúdo das obras atuais com as do Codificador é nossa única maneira de garantia de informação correta. Nova contribuição segue a esse respeito: “É urgente que vos ponhais em guarda contra todas as publicações de origem suspeita, que parecem, ou vão parecer contrárias a todas as que não tiverem uma atitude franca e clara, e tende como certo que muitas são elaboradas nos campos inimigos do mundo visível ou no invisível, visando a lançar entre vós os fachos da discórdia. Cabe-vos não vos deixar apanhar. Tendes todos os elementos necessários para as apreciar” - (Espírito Erasto, Revista Espírita, 1863, dezembro), ficando claro que esses “elementos necessários” são as informações já apresentadas no processo de estruturação do Espiritismo deixadas por Kardec e os que lhe auxiliaram naquele processo.

Alguns vão dizer que somos intransigentes ou mesmo fanáticos, contudo somente os espíritas sérios sabem que a grandeza dos apontamentos de Allan Kardec são tão grandes que serão sempre atuais, afinal foram recebidos por Espíritos que estão em muito a nossa frente, e fica dessa forma a certeza de que os que levantam a bandeira da fidelidade doutrinária assim devem agir ao ler: “Há polêmica e polêmica; e há uma diante da qual não recuaremos jamais, que é a discussão séria dos princípios que professamos” - (Allan Kardec, Revista Espírita - Novembro/1858).

Autor:Roosevelt Andolphato Tiago

quinta-feira, 14 de março de 2013

PERANTE AS DOENÇAS

Em meados de 1970, quando estava prestes a completar seu doutorado em física, o cientista Stephen Hawking, já portador de uma doença que ia paralisando seus movimentos, escutou um médico dizer que tinha apenas mais dois anos de vida.

"Então posso tentar entender o Universo, porque não vou mais precisar pensar em coisas como aposentadoria e contas a pagar", resolveu ele.

Como a doença progredia rapidamente, foi obrigado a criar fórmulas simples para explicar - no menor espaço de tempo possível - tudo aquilo que pensava.

Dois anos e meio se passaram. Mais de vinte anos se passaram e Hawking continua vivo. É capaz de comunicar suas idéias abstratas através de um pequeno computador acoplado à sua cadeira de rodas, e que possui apenas quinhentas palavras diferentes.

Escreveu o clássico livro "Uma breve história do tempo", entre outros, e foi responsável por uma nova visão da física moderna.

A doença, em vez de conduzi-lo à invalidez total, forçou-o a descobrir uma nova maneira de raciocínio.

E é exatamente assim que a doença procede em nossas vidas. Ela nos convida a mudar, a rever nossos passos, nossas escolhas, nossos valores.

Ao invés de ver a enfermidade como algo que vem para nos destruir, precisamos entendê-la como uma lição, como uma prova que nos está sendo imposta, com o único objetivo de nos fazer crescer.

As grandes enfermidades são convites da vida para que mudemos algo em nossa caminhada: sejam os rumos, sejam os objetivos, seja a maneira de pensar.

É claro que muitas delas não têm causa no hoje, nesta existência, mas, da mesma forma, elas tomam nossos dias com o fim de nos educar, de nos burilar.

A dor nos ensina muito. O sofrimento é como o calor intenso do fogo esculpindo o vidro, e concedendo-lhe as formas mais belas que possamos imaginar.

Perante as doenças é preciso reavaliar nossos dias.

Perante a doença é necessário refletir e questionar: o que ela está buscando me ensinar? Paciência? Persistência? Humildade?

Sábios são aqueles que conseguem sair dos momentos de turbulência, não blasfemando contra tudo e contra todos, mas sim mais maduros, mais equilibrados.

Não vejamos nas doenças inimigos mortais, ou grandes males que recaem dos céus sobre nossos ombros; vejamos sim oportunidades que Deus nos dá para evoluir, para nos descobrir, para passarmos mais tempo na companhia de nosso próprio coração, descobrindo nele valores que desconhecíamos, e aliados preciosos para os próximos passos que iremos dar.

O tronco sofre os golpes do machado para que, derribado, se torne nova utilidade.

A montanha de granito padece a dinamitação, a fim de que se abram veredas para o progresso.

A árvore enfrenta a poda, de modo a exuberar de flores e frutos, na ocasião oportuna.

Os grãos passam pela trituração e participam, com isso, da alegria da mesa farta.

O bloco de pedra suporta a ação do buril e do cinzel, para que liberte a obra de arte que o artista projeta.

O violino resiste à distensão de suas cordas, de forma a permitir que o som harmonioso embalsame o ambiente com musicalidade.  
 
Referências:Biografia de Stephen Hawking, e do capítulo "O sofrimento", da obra "Rosângela" - psicografia de Raul Teixeira, pelo Espírito Rosângela Costa Lima.

quarta-feira, 13 de março de 2013

BUSCANDO O AUTOCONHECIMENTO

Buscando o Auto-conhecimento 

Allan Kardec, Codificador do Espiritismo, perguntou aos Espíritos:
Qual o meio prático mais eficaz que tem o homem de se melhorar nesta vida e de resistir à atração do mal?
Os Benfeitores da Humanidade responderam: Um sábio da antiguidade vo-lo disse: conhece-te a ti mesmo.
A Doutrina Espírita nos mostra o caminho que devemos percorrer para conseguirmos esse intento: o autoconhecimento.
A caminhada, portanto, é em sentido contrário ao que temos buscado até agora. É para dentro de nós mesmos, e não no exterior.
Alguns de nós não nos conhecemos, não fazemos ideia de quem somos, de qual será o nosso comportamento diante de determinada situação. Enfim, somos um ilustre desconhecido de nós mesmos.
Pelo desconhecimento dos nossos sentimentos, às vezes tomamos atitudes equivocadas, que nos causam desagrado, tão logo nos damos conta do ocorrido.
Uma senhora afirmava sempre que, se um dia fosse assaltada, ficaria imobilizada, petrificada. Certamente não teria forças para qualquer atitude.
A sua amiga, por sua vez, dizia que reagiria, que se fosse preciso lutaria, não deixaria barato não.
Um dia, ambas estavam conversando na calçada. Um garoto passou e levou a bolsa daquela que disse que reagiria. Ela ficou paralisada.
A outra, que afirmara que ficaria imobilizada, saiu correndo atrás do menino, dando-lhe com a sua bolsa nas costas e gritando para que devolvesse a bolsa da amiga.
O menino, que não esperava tal reação, jogou a bolsa no chão e se foi, pois achou melhor salvar a própria vida.
Isso prova que ambas desconheciam suas tendências pois, diante do inesperado, tiveram reações contrárias às que afirmavam que teriam.
Muitos de nós também nos desconhecemos, não costumamos fazer uma análise profunda da nossa intimidade.
Assim, facilmente nos surpreendemos conosco mesmos diante de situações inusitadas.
Para sabermos quanto de orgulho e egoísmo, piores chagas da sociedade, ainda carregamos em nós, basta que nos observemos com sinceridade, nos pequenos atos do quotidiano, que perceberemos com clareza.
Observemos a nossa reação diante da indiferença de um amigo, ou quando verificamos o pouco caso que fazem de um trabalho que executamos, do penteado ou da roupa que vestimos, ou quando alguém nos chama à atenção.
Cada pessoa é um universo que precisa ser descoberto para que possa fazer brilhar a luz que jaz latente em seu íntimo.
Todos somos lucigênitos, filhos da Luz, pois o Criador que é a Luz Suprema, assim nos fez a todos.
Se perscrutarmos com atenção nossa intimidade, perceberemos que já temos muitas conquistas mas que ainda nos falta dar alguns passos para que brilhe de fato a nossa luz. É só uma questão de tempo e de disposição.
Santo Agostinho, um dos pais da Igreja, colaborou na codificação da Doutrina Espírita.
A resposta a que nos referimos, no início, foi dada por ele. Recomenda que cada um de nós faça como ele fizera quando viveu na Terra. A cada noite ele fazia uma análise de como fora o seu dia. Se questionava se fizera alguma coisa contra Deus, contra seu próximo ou contra ele próprio. E sempre buscava corrigir o que precisava ser corrigido, buscando ser, a cada dia, melhor que no dia anterior.
É uma caminhada longa a do autodescobrimento, no entanto, necessária ao nosso aperfeiçoamento.

Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 12 de março de 2013

NÃO SE DEIXE DESESTIMULAR


No seu aprendizado diário, na caminhada necessária para a evolução, você encontra empeços variados ao longo do caminho, que parecem destinados a lhe desanimar no longo percurso.

Muitas vezes você encontra os chamados inimigos gratuitos, os amigos faladores que o deixam em situações difíceis.

Outras vezes se depara com enfermidades físicas, com as deficiências de caráter de tanta gente, o que lhe provoca profunda tristeza, pois são companheiros que não movem uma palha em seu favor, embora ocupem seu tempo sempre que encontram a mínima dificuldade.

Você tem à sua volta a inflação que cresce e os ganhos materiais que parecem não acompanhá-la, o que lhe faz pensar que quanto mais trabalha menos ganha e gasta mais.

Você costuma ver desmoronar os mais acalentados sonhos domésticos, sem se sentir no direito de fugir.

Desmoronam os anseios do cônjuge atencioso e afetuoso; dos filhos estudiosos, responsáveis, respeitosos; da família companheira capaz de suprir você de energias nas horas apertadas para o seu coração.

Como se não bastasse, ainda surge a indiferença que o faz sentir-se solitário no mundo, sem qualquer apoio ou sustentação moral.

Contudo, seja qual for a luta que lhe caiba, seja qual for o testemunho que tenha de enfrentar, não se deixe desestimular, não se permita o abatimento.

Você não é vítima da vida.

Encontra-se unicamente em processo de reeducação, tendo oportunidade de acertar-se com a vida que um dia desrespeitou em vários de seus aspectos.

Você que conhece Jesus, ou que um dia ouviu sobre a Lei de causa e efeito, deve raciocinar que o bem ou o mal semeado na vida, da vida será colhido, e o seu desconsolo ou o seu desalento em nada colaborará para a resolução dos seus problemas.

Você deverá, então, aprender a analisar melhor as situações pelas quais tenha que passar. Deverá aprender a perdoar, a compreender, a respeitar diferenças, a falar menos, a penetrar melhor as razões das coisas, a condenar menos, a ser mais indulgente.

O tempo implacável não pára. Assim, se você o aproveitar para aprender a crescer e ser feliz, ele o abençoará com expressiva claridade.

Caso o desperdice, recolhendo-se à maldição do desânimo ou à fuga, verdadeiramente terá lançado fora o mais expressivo tesouro que nos é oferecido pelo Criador, para que nos façamos ricos e felizes: o tempo.

Não se perca nas teias do desestímulo. Confie sempre em Deus, que lhe dá sempre o melhor, dando-lhe chances de brilhar e ser feliz.

Os obstáculos que surgem no seu caminho, não são para impedir seus passos, são desafios para serem superados.

Cada vez que você consegue vencer uma dificuldade, sai dela mais fortalecido e mais confiante.

Assim, não se deixe, jamais, desestimular em circunstância alguma, pois Deus confia no seu poder de vencer os impedimentos e vencer-se a si mesmo.

Raul Teixeira