domingo, 16 de outubro de 2016

FELICIDADE

(texto do Momento Espírita impresso do site: momento.com.br)

Passamos a vida em busca da felicidade. Procurando o tesouro escondido. Corremos de um lado para o outro esperando
descobrir a chave da felicidade.
Esperamos que tudo que nos preocupa se resolva num passe de mágica. E achamos que a vida seria tão diferente se, pelo
menos, fôssemos felizes.
E, assim, uns fogem de casa e outros fogem para casa em busca da felicidade. Uns se casam, outros se divorciam, com o
mesmo intuito de felicidade.
Uns desejam viver sozinhos, outros desejam possuir uma grande família a fim de serem felizes.
Uns fazem viagens caríssimas buscando a felicidade. Analisam roteiros, escolhem os melhores hotéis, os pontos turísticos
mais invejados para visitar.
Outros trabalham, além do normal, buscando a felicidade. Fazem horas extras, inventam treinamentos e mais treinamentos
para encher sempre mais os seus dias com compromissos profissionais.
Uns desejam ser profissionais liberais para comandar a sua própria vida e poder gozar de felicidade.
Outros desejam ser empregados para ter a certeza do salário no final do mês e, assim, serem felizes.
Outros, ainda, desejam trabalhar por comissão, contando garantir que o seu esforço se transforme em melhor remuneração
e desfrutem felicidade.
É uma busca infinita. Anos desperdiçados. Nunca a lua está ao alcance da mão. Nunca o fruto está maduro. Nunca o
carinho recebido é suficiente.
Sombras, lágrimas. Nunca estamos satisfeitos.
* * *
Mas, há uma forma melhor de viver! A partir do momento em que decidimos ser felizes, nossa busca da felicidade chegou
ao fim.
É que percebemos que a felicidade não está na riqueza material, na casa nova, no carro novo, naquela carreira, naquela
pessoa.
E jamais está à venda. Quando não conseguimos achar satisfação dentro de nós mesmos, é inútil procurar em outra parte.
Sempre que dependemos de fatores externos para ter alegria, estamos fadados à decepção. A felicidade não se encontra
nas coisas exteriores.
A felicidade consiste na satisfação com o que temos e com o que não temos. Poucas coisas são necessárias para fazer o
homem sábio feliz, ao mesmo tempo em que nenhuma fortuna satisfaz a um inconformado.
As necessidades de cada um de nós são poucas. Enquanto tivermos algo a fazer, alguém para amar, alguma coisa para
esperar seremos felizes.
Tenhamos certeza: a única fonte de felicidade está dentro de nós, e deve ser repartida.
Repartir nossas alegrias é como espalhar perfumes sobre os outros: sempre algumas gotas acabam caindo sobre nós
mesmos.
* * *
Na incerteza do amanhã, aproveite hoje para ser feliz.
Se chover, seja feliz com a chuva que molha os campos, lava as ruas e limpa a atmosfera.
Se fizer sol, aproveite o calor. Se houver flores em seu jardim, aproveite o perfume. Se tudo estiver seco, aproveite para
colocar as mãos na terra, plantar sementes e aguardar a floração.
Se tiver amigos, aproveite para bater um papo, troque ideias e seja feliz com a felicidade deles.
Se não tiver amigos, aproveite para conquistar ao menos um.
Aproveite o dia de hoje para ser feliz.
Redação do Momento Espírita, com base no artigo Felicidade, de autoria desconhecida.
Em 25.01.2012.

domingo, 9 de outubro de 2016

CRESCENDO JUNTOS

(texto do Momento Espírita impresso do site: momento.com.br)

Ao nos prepararmos para receber um filho em nossos braços, uma das grandes preocupações é a questão da
educação. Perguntamos-nos
que tipo de educação iremos oferecer, quais valores haveremos de transmitir.
Se analisarmos sob outro ângulo, podemos perceber o quanto educar um filho é capaz de nos transformar, de nos
educar indiretamente.
Quando os filhos chegam ao lar, despertam em nós sentimentos adormecidos em nossa alma. Mostram-nos
um
amor antes desconhecido. É hora de aprendizado e também de muitos desafios.
É o momento de treinar o desprendimento, a tolerância e a doação de si próprio. Passamos a desejar a conquista
de muitas virtudes que ainda não possuímos.
Quando são pequenos, naturalmente, a principal preocupação é com as questões básicas de sobrevivência.
Manter a pequena criança alimentada e protegida, fazendo com que se sinta amada através dos diversos cuidados.
Quando ela começa a interagir com o mundo, nos brindando com os primeiros sorrisos, é um dos momentos em
que começamos a ficar mais atentos ao nosso comportamento, às atitudes e à fala. Afinal, serviremos de modelo.
Passamos a repensar o nosso vocabulário. Analisamos palavras ou expressões que possam ser substituídas ou
simplesmente abolidas.
Ficamos mais atentos ao tom com o qual nos referimos aos outros, à maneira como tratamos o outro, ao conteúdo
dos diálogos. Isso porque estamos sendo observados o tempo todo.
A coerência entre palavras e atitudes talvez seja uma das questões mais cobradas pelos pequenos. Cobram-nos,
com frequência, que façamos exatamente o que falamos, do contrário, nossa palavra perde o valor.
Viver a verdade, se antes não era essencial, a partir dessa nova etapa, passa a ser.
E à medida que vão crescendo, formando a sua própria identidade ensinam-nos
muito. Quando a vida nos dá
oportunidade, mostram atitudes tão maduras que chegam a nos surpreender.
Fazem-nos
questionar a nossa conduta diante de diversas situações. Fazem-nos
enxergar que poderíamos ter
agido de outra forma, que aquela talvez possa não ter sido a melhor escolha.
Apontam nossos erros, nos colocam frente nossas próprias fraquezas e dificuldades pessoais. E, a partir do
momento em que reconhecemos essas imperfeições, principiamos a desejar a mudança e trabalhar para conquistá-la.
* * *
Como pais, temos a missão de educar os filhos, orientá-los
no caminho do bem e prepará-los
para o mundo.
Tenhamos a certeza de que os filhos vêm também com essa missão, a de nos educar.
Eles nos impulsionam ao caminho do autoconhecimento, do aprimoramento e da superação de várias dificuldades.
Ensinam-nos
a abnegação e nos despertam os mais nobres sentimentos.
Se nos entregarmos de coração a essa Divina tarefa, estaremos também nos educando e, ao final, sairemos
moldados, lapidados e aperfeiçoados.
Entre erros e acertos, aprendemos muito com nossos amados filhos. Carreguemos em nossos corações a gratidão
a Deus, que nos permite, através da maternidade e paternidade, mais essa oportunidade de crescimento pessoal.
Redação do Momento Espírita.
Em 05.08.2011.

domingo, 2 de outubro de 2016

ELEGENDO PRIORIDADES

(texto do Momento Espírita impresso do site: momento.com.br)

Quantas vezes você já se disse cansado, estressado, desanimado? Quantas vezes a vida lhe pareceu pesar sobre
os ombros, como se carregasse o mundo e se sentiu quase a soçobrar?
Já se indagou, alguma vez, por que esse seu estado de ânimo?
Você poderá responder que é o cansaço da luta diária, que já não é tão jovem, que os anos contam na economia do
corpo, que as forças já não são as mesmas, que as lutas recrudesceram.
Tudo isso pode ser verdade, parcialmente. No entanto, por vezes, elegemos alguns itens como prioritários em
nossa vida, sem que realmente o sejam.
Isso nos remete a um fato que ouvimos e que buscaremos narrar, ao sabor da nossa própria emoção.
Certo professor costumava reunir, com alguma frequência, seus alunos, extraclasse, a fim de estreitarem laços de
amizade. Sua casa era, de modo geral, o local onde se encontravam.
Numa dessas oportunidades, os rapazes começaram a falar dos seus desencantos, do seu cansaço, do estresse
de que se sentiam acometidos.
Todos falavam e a tonalidade era a mesma. Então, o diligente professor foi até a cozinha e preparou chocolate
quente.
O dia estava frio e a bebida era propícia. Trouxe uma grande jarra com o chocolate quente e a colocou sobre a
mesa da sala.
Ao seu redor, colocou canecas de tamanhos, cores e tipos diferentes. Umas eram grandes, coloridas, bonitas.
Algumas de porcelana, outras de cristal, outras de barro.
Logo, os rapazes, ávidos por beber algo quente, começaram a se servir, escolhendo as mais caras e vistosas
canecas.
E a conversa continuou.
Passado algum tempo, esgotadas as reclamações, tomou a palavra o professor:
Jovens, vejo que todos apreciaram o chocolate quente. Vocês se deram conta de que cada um, de forma rápida,
procurou apanhar a caneca mais bonita, mais preciosa?
Embora vocês achem normal desejarem somente as melhores coisas para si, é aí que está a fonte de seus
problemas.
A caneca não acrescenta nada à qualidade da bebida. Na maioria das vezes, é apenas mais cara. Às vezes, até
esconde o que estamos bebendo.
No entanto, o que todos queriam era o chocolate, não é verdade?
A caneca é apenas o recipiente, que não tem o condão de alterar a substância que contém.
Vejam bem: o chocolate quente é a vida que Deus nos dá. Emprego, dinheiro e a posição na sociedade são as
canecas.
São ferramentas que fazem parte da vida. As canecas que vocês têm nas mãos não definem, nem mudam a
qualidade de vida que vocês vivem.
Às vezes nos concentramos nas canecas, deixamos de saborear o chocolate quente que Deus nos tem ofertado.
Lembrem-se
de que Deus provê o chocolate. Ele não escolhe a caneca.
* * *
Lembremos que as pessoas felizes não são as que têm o melhor de tudo, mas as que fazem o melhor de tudo que
têm.
Pensemos nisso e façamos a eleição das nossas prioridades.
Redação do Momento Espírita, com base em conto de autoria ignorada.
Em 01.06.2011.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

AS CRIANÇAS
(texto do Momento Espírita impresso do site: momento.com.br)
Elas se apresentam em tamanho, pesos e cores sortidas. Podem trazer a cor negra, branca, amarela.
Têm dedinhos delicados e a inocência de quem ainda não se inteirou, nesta vida, de como realmente é o mundo.
Elas se encontram por toda parte: em cima dos móveis, embaixo das mesas, dentro de caixas, no quintal. Penduramse
em
árvores, correm, saltam.
São a verdade de cara suja, a sabedoria de cabelos despenteados e a esperança de calças caindo.
Têm uma disposição inigualável. Parece que nunca se cansam. Sua curiosidade é tanta que jamais conseguimos
responder a todas as suas perguntas.
Conseguem ter a imaginação de um Júlio Verne, a timidez da violeta, a audácia da mola, o entusiasmo do buscapé
e suas
mãozinhas são mais rápidas, quase sempre, do que os olhos de quem está a cuidar delas.
Adoram doces, o Natal, o dia do aniversário. Curtem as reuniões com os amigos e quando estão brincando, esquecem de
comer, beber. Não têm tempo para outra coisa que não seja aproveitar a presença dos amiguinhos.
Admiram os reis e os livros de figuras coloridas. Gostam do ar livre, da água, dos animais grandes, dos automóveis e dos
aviões. Adoram os feriados e os finais de semana porque eles permitem que os seus amores estejam muito mais tempo com elas.
Levantam cedo. Quase despertam o sol e estão sempre dispostas a aprender coisas novas. Entre seus brinquedos, é
possível encontrar um barbante, alguns botões, caixinhas e latinhas. Até uma fruta verde mordida.
E é claro, entre tantas raridades, um objeto diferente, que elas encontraram em algum lugar e depositaram no baú do seu
tesouro.
São criaturas mágicas. Qualquer um pode fechar a porta do seu quarto de ferramentas, para que elas não entrem. Mas não
se consegue fechar a porta do coração. Elas sempre descobrem um jeito de entrar e se acomodar.
Podemos colocálas
para fora do nosso escritório, porque temos um trabalho importante para concluir. Mas é impossível
retirálas
do nosso pensamento.
Podemos retornar para casa cansados, desanimados por tudo que fizemos e pelas tantas coisas que não deram certo.
Podemos adentrar o lar com o pensamento no projeto que precisamos concluir com rapidez e cuja solução está bastante
difícil.
Mas, bastará que elas venham ao nosso encontro, gritando: Papai! Mamãe! e pulem em nosso pescoço para que o cansaço
desapareça e renovemos a nossa disposição íntima.
Essas criaturinhas se chamam crianças e Deus as colocou ao nosso lado para nos dizer, todos os dias, que o mundo tem
jeito, que o amor existe e que o homem, em sua essência, é bom.
* * *
Frequentemente, os Espíritos renascem no mesmo meio em que já viveram, estabelecendo de novo relações com as
mesmas pessoas.
É assim que encontramos Espíritos amigos entre os filhos que nos chegam. Suas presenças, em nossas vidas, se
constituem em verdadeiro bálsamo.
Eles retornam para nos brindarem com o seu amor, outra vez, para nos presentearem com a sua presença física.
Por isso mesmo, não desprezemos os gestos de carinho, as palavras doces desses que a Divindade colocou em nossas
vidas e que nos chamam de papai e mamãe.
Redação do Momento Espírita, com base no texto
O que é um menino?, datado de 30.09.1998, cedido
pelo ouvinte Juir Pedro Pizzatto, de Curitiba, Pr.
Em 08.03.2010.

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

ANÚNCIOS DE PRIMAVERA
(texto do Momento Espírita impresso do site: momento.com.br)
Quando florescem os ipês em minha cidade, sei que a geada não tornará a se manifestar nesta estação invernosa.
Os ipês floridos, derramando seu amarelo na grama verde, em fantasias nacionais, são anúncios da primavera, que se
prepara para reinar, por noventa dias.
São como batedores que vêm à frente, verificando as veredas e embelezando as estradas, as ruas, as avenidas e as praças.
Recordamos que, há cerca de dois mil anos, um homem se ergueu na Palestina, andando pelos caminhos, alertando as
populações.
Semelhante aos ipês, Ele anunciava a nova estação que estava prestes a encher de flores de esperança o mundo. O Seu era
o anúncio da primavera da renovação.
Preparai os caminhos do Senhor...
Depois de mim, virá aquele do qual não sou digno de desatar as sandálias.
Eu sou a voz que clama no deserto... no deserto dos corações humanos.
E o Batista trazia as sementes fartas de profecias anunciadas há séculos.
O Rei se encontrava entre os homens. E escolheu o palco da natureza para entoar sua canção de amor. Compôs poemas e
somente os corações de boa vontade registraram Seus versos, na intimidade do próprio ser.
Mas os versos ficaram ecoando, levados pelos ventos, repetidos pelas montanhas, acolhidos entre as paredes generosas
dos que aderiam ao convite. Convite do amor. Convite para amar.
Era o auge da primavera. O Governador planetário viera para estar com os Seus.
Estou entre vós como quem serve. Eu sou o bom pastor.
Nenhuma das ovelhas que o pai me confiou se perderá. O pastor dá a sua pela vida das suas ovelhas.
Crede em Deus. Crede também em mim.
Versos recitados na montanha, no vale, nas estradas. E dedilhados no alaúde do lago de Genesaré.
Primavera celestial. Jamais igualada.
* * *
Nos dias que vivemos, novos anúncios se fazem. A era da regeneração se aproxima e a pouco e pouco se instala.
Os arautos se multiplicam. A genialidade retorna ao palco do mundo e as crianças declamam, versejam, compõem sinfonias
e executam peças magistrais, em evocações da Sublimidade Celeste.
Gênios avançam estudos nas ciências, sonhando com viagens interplanetárias, em mensagem de vera fraternidade.
E outros se debruçam sobre lâminas, livros, em laboratórios, academias, institutos, em investigações que objetivam a cura de
males que afligem seus irmãos, o diminuir das dores.
Outros mais empreendem campanhas em prol dos que nada ou quase nada têm. As suas preocupações não são os
folguedos da infância, mas sim o bemestar
de outras tantas crianças, amigos próximos ou desconhecidos distantes.
Primícias de primavera. Primavera nos corações. Primavera de um mundo novo, regenerado. Um mundo em que o homem
abandonará as armas que aniquilam e abraçará a lira, a ciência, a arte, o amor.
Um mundo que já se faz presente. Como os ipês que bordam arabescos pelo chão, que enchem os olhos e afirmam: A
primavera se aproxima!
Pensemos nisso e deixemonos
penetrar pelo hálito primaveril do mundo novo.
Redação do Momento Espírita.
Disponível no CD Momento Espírita, v. 28, ed. FEP.
Em 9.9.2015.

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

ELES ESTÃO VIVOS

 Ainda quando não reconheças, de pronto, semelhante verdade, eles te vêm e te escutam! Quanto possível, seguem-te os passos compartilhando-te problemas e aflições ! Compadece-te dos que te precederam na Grande Renovação ! Aqueles que viste partir de mãos desfalecentes nas tuas, doando-te os derradeiros pensamentos terrestres, através dos olhos fitos nos teus, não estão mortos. Entraram em novas dimensões de existência, mas prosseguem de coração vinculado ao teu coração. Assinalam-te o afeto e agradecem-te a lembrança, no entanto, quase sempre se escoram em tua fé, buscando em ti a força precisa para a restauração espiritual que demandam. Muitos deles, ainda inadaptados à vida diferente que são compelidos a facear, pedem serenidade em tua coragem e apoio em teu amor... Outros, muitos, jazem mergulhados na bruma da saudade, detidos na sede de reencontro, ante as requisições continuadas dos teus pensamentos de angústia. Outros muitos seguem-te ainda... Aqueles que se despediram de ti, depois de longa existência, abençoando-te a vida; os que amaste, indicando-lhes o caminho para as esferas superiores; os que levantaste para a luz da esperança e aqueles outros que socorreste um dia, com o ósculo da amizade e da beneficência... Todos te agradecem, estendendo-te os braços no sentido de te auxiliar a transpor as estradas que ainda te cabem percorrer. Auxilia aos entes queridos na Espiritualidade, a fim de que te possam auxiliar! Se lhes recorda a presença e o carinho, preenche o vazio que te impuseram à alma, abraçando o trabalho que terão deixado por fazer. Sê a voz que lhes reconforte os seres amados ainda na Terra, a força que lhes execute o serviço de paz e amor que não terminaram, a luz para aqueles que lhes lastimam a ausência em recantos de sombra, ou o amparo em favor daqueles que desejariam continuar te sustentando no mundo ! Compadece-te dos entes queridos que te antecederam na Grande Libertação! Chora, porque a dor é fonte de energias renovadoras por dentro do coração, mas chora trabalhando e servindo, auxiliando e amando sempre! E deixa que os corações amados, hoje no Mais Além, te enxuguem as lágrimas, inspirando-te ação e renovação, porque, no futuro, tê-los-ás a todos positivamente contigo nas alegrias do Novo Despertar. 

Emmanuel

Extraído do livro Caminho de Volta
Psicografado por Francisco C. Xavier


quinta-feira, 11 de agosto de 2016

VOCÊ É APENAS UMA PESSOA
(texto do Momento Espírita impresso do site: momento.com.br)
Embora estejamos vivendo os anos de um novo milênio, alguns conceitos de séculos passados continuam a vigorar entre
nós.
Um deles, muito arraigado, é o de que homem não chora. Apesar do testemunho de algumas celebridades masculinas que
afirmam ter chorado, mais de uma vez, ante grandes dificuldades, a maioria dos homens ainda acredita que não deve se permitir
chorar.
Chorar denota fragilidade. E o sexo masculino é o sexo forte.
Com aquele pai, recentemente divorciado, não era diferente. Até há poucos meses, ele estava casado e tinha com quem
dividir as tarefas domésticas, as contas do mês, as inquietações e tristezas.
Mas, agora, estava sozinho. E com dois filhos.
Naquele dia, ele chegou do trabalho, deu banho nos meninos, enquanto eles riam de puro prazer e jogavam espuma um no
outro.
Ouviu as gargalhadas deles, correndo pela casa, em brincadeiras barulhentas. Tendo conseguido acalmá-los
um pouco, os
levou para a cama.
Cinco minutos de massagem em cada um deles. Depois, o violão e canções folclóricas, diminuindo devagar o ritmo e o
volume até ter certeza que eles dormiam.
Ele estava determinado a lhes proporcionar uma vida doméstica, a mais estável e normal possível.
Contudo, estava sendo difícil!
Saiu do quarto, desceu as escadas e foi até a cozinha. Sentou-se
numa cadeira, colocou os cotovelos sobre a mesa, as mãos
no rosto e desabou a chorar.
Desde que chegara, era a primeira vez que sentava. Tinha cozinhado, servido o jantar, cuidado para que as crianças
comessem.
Enquanto lavava a louça, supervisionara a lição de casa do filho que estava na segunda série. Tinha elogiado os desenhos
do mais novo e as suas construções com blocos.
Agora, estava ali, sozinho. Sentia o peso da responsabilidade, a solidão. E a preocupação com as contas a pagar.
Conseguiria dar conta de tudo?
Ele se sentia como se estivesse no fundo de um mar, indefeso, perdido. O choro se tornou convulsivo e os soluços o
sacudiram.
Nessa hora, um par de bracinhos lhe rodeou a cintura e um rostinho o examinou com atenção.
Ele olhou para a carinha simpática do filho de cinco anos. Envergonhou-se
por estar chorando.
Desculpe, falou, não sabia que você não estava dormindo. Eu não queria chorar. Desculpe. Estou um pouco triste hoje.
O menino passou a mãozinha no rosto em lágrimas, fazendo carinho, foi se aconchegando no colo do pai, recostou a cabeça
em seu peito, os bracinhos rodeando-lhe
o pescoço.
Então, com a sabedoria da inocência, falou:
Está tudo bem, papai. Não tem problema chorar. Você é apenas uma pessoa.
* * *
Você é apenas uma pessoa! Uma pessoa que tem sentimentos de dor, solidão, impotência. Que ama e deseja ser amado.
Que tem carências.
Pai ou mãe, você não deixa de ser um ser humano, com todas as fraquezas próprias da Humanidade.
É bom que seus filhos saibam que você sente dor, saudade, frustração. Que não é um super herói
ou a mulher maravilha.
Demonstre seus sentimentos e fale a eles a respeito.
Família, em essência, significa amor, dedicação, auxílio mútuo, um ombro amigo para chorar.
Mesmo que seja de uma criança de apenas cinco anos de idade.
Redação do Momento Espírita, com base no cap. Permissão para chorar,
de Hanoch McCarty, do livro Histórias para aquecer o coração dos pais, de
Jack Canfield, Mark Victor Hansen, Jeff Auberye Mark & Chrissy Donnely,
ed. Sextante.
Em 8.8.2016.