domingo, 14 de setembro de 2014

DÁ DE TI MESMO

Declaraste não possuir dinheiro para au­xiliar.


Acreditas que um pouco de papel ou um tanto de níquel te substituem o coração?


Esqueces-te, meu filho, de que podes sorrir para o doente e estender a mão ao necessitado?

A flor não traz consigo uma bolsa de ouro e entretanto espalha perfume no firmamento.

O céu não exibe chuvas de moedas, mas enche o mundo de luz.

Quanto pagas pelo ar fresco que, em bafejos amigos, te visita o quarto pela manhã?

O oxigênio cobra-te imposto?

Quanto te custa a ternura materna?

As aves cantam gratuitamente.

A fonte que te oferece o banho reconforta­dor não exige mensalidade.

A árvore abre-te os braços acolhedores, re­pletos de flor e fruto, sem pedir vintém.

A bênção divina, cada noite, conduz o teu pensamento a bendito repouso no sono e não fazes retribuição de espécie alguma. Habitual­mente sonhas, colhendo rosas em formoso jardim, junto de companheiros felizes; no entanto, ja­mais te lembraste de agradecer aos gênios espi­rituais que te proporcionam venturoso descanso.

A estrela brilha sem pagamento.

O Sol não espera salário.

Porque não aprenderes com a Natureza em torno?

Porque não te fazeres mais alegre, mais comunicativo, mais doce?

Tens a fisionomia seca e ensombrada por faltar-te dinheiro excessivo e reclamas recursos materiais para ser bom, quando a bondade não nasce dos cofres fortes.

Sê irmão de teu irmão, companheiro de teu companheiro, amigo de teu amigo.

Na ciência de amar, resplandece a sabedoria de dar.

Mostra um semblante sereno e otimista, aonde fores.

Estende os braços, alonga o coração, comu­nica-te com o próximo, através dos fios brilhan­tes da amizade fiel.

Que importa se alguém te não entende o gesto de amor?

Que seria de nós, meu filho, se a mão do Senhor se recolhesse a distância, por temer-nos a rudeza e a maldade?

Dá de ti mesmo, em toda parte.

Muito acima do dinheiro, pairam as tuas mãos amigas e fraternais.




Pelo Espírito Neio Lúcio









Francisco Cândido Xavier. Alvorada Cristã. FEB. Capítulo 30.

sábado, 13 de setembro de 2014

INCERTEZA - CERTEZA

A incerteza, quanto ao momento da ocorrência da morte, deve constituir para o homem a mais séria advertência a respeito da transitoriedade do corpo físico.

Dentro de cinco minutos, através de uma parada cardíaca; de cinco anos, em um acidente de veículo; ou de cinqüenta anos, por uma enfermidade de longo prazo, dolorosa, ninguém sabe quando acontecerá o desprendimento da alma em relação à matéria.

Uma compleição física, sadia, nem sempre compete com segurança ante uma organização frágil e enfermiça, porquanto a primeira pode interromper-se, enquanto a outra, talvez, permaneça desafiadora.

Um corpo juvenil, atraente e promissor, cede campo para que fique um ser caquético, deficiente físico e mental.

A criança rica de energias deperece, ao tempo que o enfermo desenganado recupera-se...

O Espírito é o que conta, no processo reencarnatório.

Os seus atos pretéritos geram-lhe os mecanismos de prolongamento, ou abreviação da vilegiatura carnal.

Nenhuma exceção, porém, produzindo clima de privilégio, ante a morte.

As doenças visitam ricos e pobres com a mesma indiferença; belos e deformados com igual liberdade; moços e idosos de maneira equivalente; bons e maus com naturalidade...

Decompõem-se os corpos sob condições idênticas, nivelando-se as formas e assumindo os mesmos critérios transformadores.

A mente, refletindo o estado de evolução intelecto-moral, responde pela maneira como cada pessoa enfrenta a vicissitude do desgaste e o fenômeno da morte.

Morrer, portanto, é acontecimento inevitável.

Bem morrer ou morrer bem, depende da conduta de cada indivíduo.

Aqueles que vivem bem, desfrutam dos favores terrestres, nem sempre morrerão felizes.

Quantas pessoas se deixaram desequilibrar pelos insucessos, que lhes cabia vencer, enfrentam a morte em estado de desventura.

Somente quem soube aplicar o patrimônio do tempo com eficiência, bem morre, libertando-se e sendo ditoso.

Pensa na morte, como te preocupas com a vida.

Harmoniza-te ante a sua realidade, permanecendo preparado para a sua ocorrência.

Se forem breves os teus dias terrestres, busca vivê-los com intensidade positiva e se te forem longos os anos, utiliza-os com sabedoria.

Esta incerteza de quando se dará e esta certeza de que a morte virá, são o díptico da vida orgânica, na qual te movimentas.

Faze a luz do discernimento íntimo com o Evangelho de Jesus e, seja em que situação for, permanece em paz e feliz.



Pelo Espírito Joanna de Ângelis


Divaldo Pereira Franco. Momentos de Coragem.  LEAL.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

SONHAVAS

Sonhavas com certos empreendimentos em matéria de arte e cultura, indústria e administração, e atraíste semelhantes encargos, no entanto, qualquer deles te angaria o êxito com vantagens compensadoras, se te entregares, sinceramente, à disciplina e à responsabilidade.

Esperavas amigos, em cujos ombros te apoiasses para viver e esses amigos apareceram, porém, a fim de conservá-los, será preciso aceitá-los tais quais são, com o dever de compreendê-los e auxiliá-los tanto quanto aguardas de cada um deles entendimento e cooperação, nas áreas do apoio mutuo.

Efetivamente queremos essa ou aquela premiação da vida, mas não nos esqueçamos de que a vida nos pede a retribuição de todos os valores que venhamos a conquistar com o trabalho na edificação do bem, de vez que também no campo da alma para receber é preciso dar, porquanto, em qualquer setor da existência, daquilo que se planta é que será justo colher.

Nem todos conseguimos subordinar as palavras aos princípios gramaticais, a fim de articular uma alocução irrepreensível, do ponto de vista idiomático, ao redor de assunto determinado, todavia, a possibilidade de pronunciar essa ou aquela frase de consolo e esperança, a benefício dos companheiros que estão suportando sofrimentos e provações maiores do que as nossas, não exclui ninguém.

A vida não nos pede o impossível para que nos integremos nos mecanismos da caridade, extinguindo as provações que atormentam a Terra, mas, para que o mal desapareça, espera de cada um de nós essa ou aquela migalha do bem.



Francisco Cândido Xavier. Caminho Iluminado. Pelo Espírito Emmanuel. CEU.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

SUICÍDIO, A PORTA FALSA

Desde que bebera a substância venenosa, Marina sentia-se morrer, sem morrer.

Não queria viver mais. Experimentara o desprezo de Jorge, o jovem de quem se enamorara e com que acariciava o sonho de casar-se e criar os filhos.

Foram dois anos de esperanças. Tudo em vão.

Não dera ouvidos ao pai que costumava dizer-lhe: “cuidado com os rapazes de hoje, filha, nem sempre têm bom caráter.” Achava o paizinho antiquado e exigente.

Mas como resistir? Jorge a buscava todas as noites. Começou pedindo livros emprestados. Depois de algumas semanas estavam juntos no cinema.

O filme era envolvente. Contava a história de uma jovem tímida, contrariada pela família, que entregara-se ao rapaz, com quem fugiu, confiante.

Ninguém poderia dizer o que aconteceria depois, mas o cinema coroara a aventura com um romântico beijo.

Na saída, a garoa fina. Jorge a convida para um passeio. Marina pensava na heroína do filme, e não teve coragem de dizer não.

Pela primeira vez Marina mentiu à mãezinha que a esperava, ansiosa, às três horas da madrugada. “a chuva atrapalhou, mãe, ficamos na casa de Jorge até agora.”

Outros tantos passeios a sós se repetiram até que um dia Marina sentiu-se enjoada e com tonturas. Jorge a levou ao consultório de um médico, ainda jovem, que a olhava com ares de malícia. A moça ficou um tanto revoltada diante dele, mas submeteu-se ao aborto.

Desejava ser mãe, mas o namorado convenceu-a de que era preciso casarem-se antes. Terminaria os estudos e então se casariam.

Daquele dia em diante Marina sentia-se diferente. Via-se perseguida, em sonho, por alguém que lhe gritava aos ouvidos: “mãe, mãe, por que me mataste?

Contou seu drama ao namorado mas ele dizia que ela estava precisando de um psiquiatra.

O tempo passou e Marina sentia-se cada vez mais atormentada. Toda vez que falava sobre isso com Jorge ele a acalmava dizendo que logo se casariam.

Um dia, quando sentia-se muito deprimida, ela procurou Jorge, a quem considerava seu noivo, e o encontrou com outra moça. Ele a conduziu à pequena distância e explicou-se. Não a amava, confessou áspero. É melhor terminarmos assim, falou com frieza, antes de mais sérias dificuldades.

O mundo íntimo de Marina desmoronou.

A idéia de suicídio envolveu-a completamente.

No caminho para casa, adquiriu a substância letal.

Escreveu bilhetes.

E, pela manhã, sorveu a poção de uma só vez.

Pavorosa dor irrompeu-lhe na carne., Nos nervos, no sangue, nos ossos....

Convulsões sucessivas não lhe permitiam morrer.

Entretanto, ouvia sua própria mãe a gritar como louca: “Morta! Morta!”

Marina sentiu-se carregada. Dois homens a colocaram na ambulância. Ela não apenas chorava, rugia em contorções, mas ninguém lhe percebia agora os terríveis lamentos.

Viu-se atirada, sem qualquer consideração, na “laje fria”. Suplicava socorro. Agitava-se. Mas ninguém lhe dava ouvidos.

Depois de algum tempo é que percebeu que conseguira sair do corpo, porque identificou os jovens médicos a cortar-lhe as vísceras para exame necrológico.

Marina conseguira matar o corpo, mas continuava viva.

De pé, ainda cambaleante, sentindo todas as dores e convulsões de momentos antes, Marina grita:

Mãe! Minha mãe! Quero viver! Viver!

Outra voz, contudo, ecoou ameaçadora e sarcástica aos seus ouvidos:

Mãe, minha mãe, eu também quero viver! Viver!...

Procurou com os olhos agoniados quem lhe falava, mas apenas sentiu que braços vigorosos a aprisionavam.

Lembrou, aturdida, o aborto, os sonhos, a tortura e o suicídio, e esforçou-se terrivelmente para voltar e erguer-se de novo no corpo tombado na mesa fria.

Mas era tarde demais...




Equipe de Redação do Momento Espírita. Texto baseado no Cap. 22 do livro A Vida Escreve, ed. FEB..

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

A LENDA DA ÁRVORE

No princípio do mundo, quando os vários reinos da Natureza já se achavam apaziguados e enquanto o ouro e o ferro repousavam no sub-solo, o homem, os animais de grande porte, os passarinhos, as borboletas, as ervas e as águas viviam na superfície da Terra... E o Supremo Senhor, notando que os serviços planetários se desdobravam regularmente, chamou-os ao seu Trono de Luz, a fim de ouvi-los.

A importante audiência do Todo-Poderoso começou pelo Homem, que se aproximou do Altíssimo e informou:

- Meu Pai, o globo terrestre é nossa gloriosa oficina. Minha esposa, tanto quanto eu, se sente muito feliz; entretanto, experimentamos falta de alguém que nos faça companhia, em torno do lar, e nos auxilie a criar os filhinhos.

O Todo-Misericordioso mandou anotar a referência do Homem e continuou a ouvir as outras criaturas.

Veio o Boi e falou:

- Senhor, estou muito bem; contudo, vagueio sem descanso durante as horas de sol. Grande é a minha fadiga e a resistência cada vez menor...

Veio o Cavalo e reclamou:

- Eu também, Grande Rei, sinto aflitivo calor cada dia...

Aproximou-se a Corça e rogou:

- Poderoso, estou exposta à perseguição de toda gente. Não terei a graça de um ser amigo que me proteja e defenda?

Logo após, surgiu gracioso passarinho e suplicou:

- Celeste Monarca, recebi a bênção da vida, mas não tenho recursos para fazer meu ninho. Nas pastagens rasteiras, não posso construir a casa...

Adiantou-se a Borboleta e implorou:

- Meu Deus, tudo é belo no mundo; todavia, onde repousarei?

Em último lugar, chegou o Rio e disse:

- Grande Senhor, venho cumprindo os meus deveres na Terra, escrupulosamente, mas preciso de alguém que me ajude a conservar as águas...

O Supremo Soberano ficou pensativo e prometeu providenciar.

No dia imediato, toda a Terra apareceu diferente.

As árvores robustas e acolhedoras haviam surgido, representando a sublime resposta de Deus.



Pelo Espírito Neio Lúcio.


Francisco Cândido Xavier. Alvorada Cristã.  FEB.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

FALE EM PAZ

Justo lembrar: a voz humana está carregada de vibrações.

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Esforça-te por evitar os gritos intempestivos e inoportunos.

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Uma exclamação tonitruante equivale a uma pedrada mental.

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Se alguém te dirige a palavra em tom muito alto, faze-lhe o obséquio de responder em tom mais baixo.

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Os nervos dos outros são iguais aos teus: Desequilibram-se facilmente.

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Discussão sem proveito é desperdício de forças.

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Não te digas sofrendo esgotamento e fadiga para poder lançar frases tempestuosas e ofensivas; aqueles que se encontram realmente cansados procuram repouso e silêncio.

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Se te sentes à beira da irritação estás doente e o doente exige remédio.

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Barulho verbal apenas complica.

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Pensa nisso: a tua voz é o teu retrato sonoro.



Pelo Espírito Emmanuel


Francisco Cândido Xavier. Calma.  GEEM
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segunda-feira, 8 de setembro de 2014

PEQUENAS DOAÇÕES

Não subestime as chamadas "pequenas doações".

O prato frugal que você oferece ao necessitado será provavelmente o recurso de que precisa a fim de liberar-se dos últimos riscos da inanição.

A peça de vestuário que você entregou fio companheiro em penúria terá representado o apoio providencial com que se livrou de moléstia grave.

A reduzida poção de remédio que conseguiu você doar em favor de um doente foi talvez o socorro que o auxiliou a desviar-se do derradeiro corredor em que resvalaria para a morte.

A visita rápida que você levou ao enfermo pode ter sido o estímulo inesperado que o arrancou do desânimo para os primeiros passos, em demanda ao levantamento das próprias forças.

O bilhete ligeiro que você endereçou ao irmão em dificuldade, ofertando-lhe reconforto, possivelmente se transformou na âncora em que haverá retomado o acesso à esperança.
O minuto de tolerância com que você suportou a exigência de uma pessoa, em difícil conversação, haverá sido aquele que a ajudou a descompromissar-se com um encontro desagradável ou com determinado acidente.

Algumas poucas frases num diálogo construtivo serão o veículo pelo qual o seu interlocutor evitará render-se a idéias de suicídio ou delinqüência.

Os seus instantes de silêncio caridoso, à frente desse ou daquele agressor, significarão o amparo de que não prescinde, a fim de aceitar a necessidade da própria renovação.

Não menospreze o valor das minidoações.
O seu concurso supostamente insignificante pode ser o ingrediente complementar que esteja faltando em valiosa peça de salvação.



AutorAndré Luiz  / MédiumChico Xavier