quarta-feira, 13 de novembro de 2013

ANTE A CALÚNIA

É inevitável ser vítima da calúnia, que faz parte do orçamento moral de muitas pessoas, a fim de ser apresentada no mercado da leviandade humana.
Muitos se comprazem em urdi-la e desferi-la, por inveja, ciúme ou, simplesmente, por doença moral.
Outros se encarregam de divulgá-la, alegrando-se em fazê-lo, porque também são atormentados.

Não sintonizes com aqueles que vivem nessa faixa.
Igualmente não te permitas atingir pelas farpas caluniosas que te arrojam.
Vive de tal forma, que o caluniador fique desmoralizado por falta de provas.
Cada dia é lição que se transforma em vida, ao longo do teu caminho eterno.
Diariamente surgem episódios de calúnia, intentando alcançar alguém.
Assim, perdoa o caluniador. Ele não fugirá de si mesmo.

Contam que uma caluniadora buscou o seu confessor e narrou, arrependida, a sua insensatez.
Pedindo a absolvição para o triste delito, perguntou ao ouvinte atento qual era a sua penitência.
Aquele reflexionou e pediu-lhe que fosse ao lar e trouxesse uma almofada de plumas, subisse à torre da igreja e dali as espalhasse ao vento com máximo cuidado, e, após, viesse receber a competente liberação.
Tão logo terminou de fazê-lo, a confessa retornou e perguntou:
— E agora?
— Volta lá — respondeu o sacerdote — recolhe todas as plumas e refaze a almofada.
A calúnia são plumas ao vento que vão sempre adiante para a amargura do caluniador.

Do livro "Episódios Diários", by Joanna de Ângelis/Divaldo Franco.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

MODA

Os caprichos da moda!
As criaturas engendram tormentos nos quais tombam de forma leviana e lamentável.
Dentre outros, assoma o que se refere à moda.

Versatilidade no vestir e calçar, variedade para usar.
Armários abarrotados e as pessoas lamentando-se ausência de trajes condignos para este ou aquele evento.
Noites insones por causa de um modelo; preocupações exageradas para a aquisição de uma indumentária.
Roupa exclusiva para causar sensação ou extravagante para chamar a atenção.
A vacuidade inspira formas de automaceração e de realização em disfarces de trapos de alto custo, que logo perdem o sentido.

Não são poucas as criaturas que se consideram infelizes por causa da moda, que as impede de estar em dia com os figurinos e os lançamentos últimos.

... E são portadoras de apenas um corpo!

Veste-te para que te sintas asseado e confortável na tua roupa.
Se for factível usar o que ora é aceito, fica à vontade para fazê-lo.
Se não puderes acompanhar os lançamentos, usa da simplicidade e veste o que te seja possível, sem tormento nem angústia.
Na maioria das vezes, ninguém nota como estás vestido, exceto quando chamas a atenção pela originalidade, pelo inusitado...
Importa o que és e não como te vestes.
O invólucro ajuda, porém, o importante mesmo é o produto que ele reveste.
Excesso, em moda, jamais!

Do livro "Episódios Diários", by Joanna de Ângelis/Divaldo Franco.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

CRÍTICA

Diante dos acontecimentos chocantes do dia-a-dia e face a determinados comportamentos equivocados que recebem aplauso geral, vem-te a tentação de criticar.
Algumas palavras bem colocadas, e serão suficientes para desmascarar mandatários inescrupulosos e indivíduos subservientes de conduta vil.
Quase todas as pessoas do círculo onde eles se movimentam, conhecem-lhes as falhas. 

Não obstante, sorriem com falsa anuência em relação à sua forma de viver, quase os detestando.
Tu, que procuras ser honesto contigo mesmo e com o teu próximo, ficas magoado, desejoso de te referires às deficiências que caracterizam essas pessoas e esses fatos.
Este procedimento em nada ajudará aos criticados, que se irritarão, carregando-se de ódio contra ti e passando a perseguir-te, piorando a própria situação.
A crítica ácida, inspirada pela revolta ou pelo ressentimento, não contribui para a mudança delas ou das ocorrências examinadas.
Ninguém gosta de sofrer críticas, mesmo quando merecidas.

A palavra gentil de ajuda e de esclarecimento produz melhor efeito do que a acusação, irada, a censura severa.
A tua melhor maneira de criticar o erro será agir com acerto, diferenciando-te pela forma de atuar, em relação àquele que se comporta irregularmente.
A força da retidão se expressa pela conduta, muito mais do que através das palavras.
Evita a crítica, forma sutil de vingança e, não raro, de despeito sórdido.
A tua vida deve tornar-se uma lição viva de correção e dignidade, sem que estejas apontando os erros e debilidades alheios.

Do livro "Episódios Diários", by Joanna de Ângelis/Divaldo Franco.

domingo, 10 de novembro de 2013

CRITÉRIO DE JULGAMENTO

Há uma tendência muito grande para o indivíduo supervalorizar ou desconsiderar as tarefas que executa.
Por processo de auto-afirmação, um grande número de criaturas se crê a razão pela qual o Sol se movimenta nos espaços, superestimando-se, em prosaico processo de engrandecimento pessoal.
Não se dão conta de que todos possuem critérios de avaliação e de julgamento, derrapando no ridículo que poderiam evitar.
Tornam-se, assim, desagradáveis no trato e na convivência, evitados por uns e antipatizados por outros.

Da mesma forma, encontramos larga faixa de pessoas que se subestimam e não concedem o valor que merecem às suas realizações.
Crêem-se incapazes para qualquer atividade e supõem-se dispensáveis em toda parte.
Pessimistas, por índole, fazem-se desestimulantes e arredios, caindo em frustrações desnecessárias.

Dá o valor real aos teus atos.
Se poderias fazer melhor o que te parece imperfeito, logra-o da próxima vez.
Se consideras insignificante o teu feito, menor seria sem ele.
Se outros realizam com mais eficiência qualquer coisa, exercita-te e chegarás à mesma posição dele.
Todas as ações positivas são importantes no contexto geral da vida.
Até mesmo o erro tem o sentido de ensinar como se não deve fazer o que ora resulta prejudicial.
Esforça-te um pouco mais, quando estiveres produzindo algo, e, mediante o teu critério de julgamento, valoriza sem excesso nem depreciamento o que faças, pensando na finalidade para que se destina.

Do livro "Episódios Diários", by Joanna de Ângelis/Divaldo Franco.

sábado, 9 de novembro de 2013

FILOSOFIA DA COMPREENSÃO


No transcurso de um dia, não faltam motivos para revides, agressões, quedas morais.
Uma pessoa desatenta choca-se contigo e não se desculpa.
Outra, irreverente, diz-te um doesto e segue, sorrindo.
Mais alguém, em desequilíbrio, não oculta a animosidade que lhe inspiras.
Outrem mais, de quem sabes que te censura, e, mentindo contra ti, acusa-te, levianamente...
Tens vontade de reagir.
“Também sou humano” — costumas pensar.
Somente que reações semelhantes àquelas não resolvem o problema.
Deves nivelar-te às pessoas, pelas suas conquistas e títulos de enobrecimento, numa linha superior, e não pela sua mesquinhez.
Ninguém passa, na Terra, sem provar a taça da incompreensão.
Cada qual julga os outros pelos próprios critérios, mediante a sua forma de ser, como é natural.
O que se não possui, é desconhecido; portanto, difícil de identificado noutrem.

Não é necessário que se te despersonalizes evitando apresentar-te conforme és.
Faz-se mister que te superes vencendo a parte negativa do teu caráter, aquela que censuras nos outros.
Lapidando as tuas arestas, tornar-te-ás melhor e mais feliz.
Aqueles que são exigentes, que gostam de aclarar tudo, resolver as situações que lhes surgem, padecem de distúrbios emocionais, sofrem ulcerações gástricas e duodenais, vivem indispostos.
Será que esses perturbadores e insolentes do caminho merecem que te desarmonizes?
Segue em paz, durante todo o teu dia, e arrima-te na filosofia da compreensão e da solidariedade, ajudando-os, sem reagires contra eles.
Isto será melhor para ti e para todos.

Do livro "Episódios Diários", by Joanna de Ângelis/Divaldo Franco.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

NECESSÁRIO E DISPENSÁVEL


O consumismo atual responde por muitos  problemas.
As indústrias do supérfluo apresentam no mercado da vacuidade um sem-número de produtos desnecessários, que aturdem os indivíduos.
Estimulados pela propaganda bem elaborada, desejam comprar, mesmo sem poder, o que vêem, o que lhes é apresentado, numa volúpia crescente.
Objetos e máquinas que são o último modelo, em pouco tempo passam para o penúltimo lugar, até ficarem esquecidos em armários ou depósitos de coisas sem valor.
No entanto, se não fossem adquiridos, naquela ocasião, a vida perderia o sentido para quem os não comprasse.
Consumismo é fantasia, transferência do necessário para o secundário.
O consumidor que não reflete antes de adquirir, termina consumido pelas dívidas que o atormentam.

Muita gente faz compras, por mecanismos de evasão.
Insatisfeitas consigo mesmas, fogem adquirindo coisas mortas, e mais se perturbando.
Enquanto grande número de indivíduos se afogam no oceano do supérfluo, multidões inteiras não possuem o indispensável para uma vida digna.
Abarrotados, uns, com coisas nenhumas, e outros vitimados por terrível escassez.
São os paradoxos do século e do comportamento materialista-utilitarista da atualidade.

Confere a necessidade legítima, antes de te permitires o consumismo.
Coisas de fora não equacionam estados íntimos. 
Distraem a tensão por um momento, sem que operem real modificação interior.
Quando o excesso te visite, reparte-o com a escassez ao teu lado.
Controla e dirige a tua vontade, a fim de não seres uma vítima a mais do tormento consumista.

Do livro "Episódios Diários", by Joanna de Ângelis/Divaldo Franco.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

O PODER

Não deplores a função ou tarefa humilde, na qual te encontras edificando o futuro.
Todas as realizações, por mais grandiosas, não dispensam a participação das aparentes e pequenas contribuições que, em última análise, são-lhes fundamentais.
A melhor engrenagem pode desarticular-se quando alui modesto parafuso.
A maquinaria mais sofisticada estrutura-se com o mineral transformado, antes sem outra serventia.
Todas as tarefas que promovem a vida são de relevante significado.
Não é a função, que dignifica o homem, mas este quem a enobrece.
Realiza, desse modo, o teu dever, com a consciência de que ele é de suma importância no concerto geral da vida.

O fastígio e o poder são compromissos graves para aqueles que os detêm.
O fastígio facilmente leva à queda, sob as circunstâncias em que se apresenta e as facilidades de que se reveste.
O poder, quase sempre, leva à corrupção, face à transitória posição de que se faz cercar, com perigos e gravames.
O verdadeiro poder é o do amor, aquele que vem de Deus, que faz homens fortes em qualquer função, e dignos, íntegros, em todas as atividades.
Faze a tua parte com o poder do amor e segue, feliz, até a tua vitória final. 

Do livro "Episódios Diários", by Joanna de Ângelis/Divaldo Franco.