sexta-feira, 18 de outubro de 2013

O TRABALHO

Após a tensão experimentada no trânsito sufocante, chegas invariavelmente ao local de trabalho, com mau humor, cansaço ou indisposição.
Relacionas então as necessidades que deves suprir, e sofres sob a conjuntura que se te impõe, no trabalho diário.
Vês outros indivíduos que parecem prósperos e felizes, usufruindo benefícios da vida, que nunca te chegaram, e a amargura começa a aninhar-se no teu sentimento doído.

Evita cair no desalento, face à insinuação falsa.
O trabalho é dom da vida, que dignifica e mantém o homem.
Em toda parte o trabalho se impõe como lei mantenedora do equilíbrio.
Sem ele tudo retornaria ao caos do princípio, e os objetivos superiores naufragariam no tédio e na ociosidade doentios.
Busca, portanto, motivação para fazeres bem o teu trabalho, renovando-te nele e nele colocando os teus melhores empenhos, de modo a te enriqueceres de justa gratificação emocional em relação ao teu maravilhoso meio de ganhar com nobreza o pão diário.

Joanna de Ângelis e Divaldo Franco, do Livro "Episódios Diários"

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

O PRIMEIRO DESAFIO

Disposto a esquecer o mal, dedicando-te ao bem, enfrentas o primeiro desafio.
Incidente doméstico ocorre envolvendo-te emocionalmente.
Tens a impressão que todo o planejamento para o dia se desfaz.
Sentes os nervos abalados e estás a ponto de aceitar a pugna.
Silencia, porém, e age.
O hábito da discussão perniciosa se te instalou no comportamento, e crês que não possuis forças para superar o acontecimento danoso.

Recorda que estás num clima de efeitos que vêm dos dias anteriores, quando te engajavas nas provocações, reagindo no mesmo tom.
Os familiares não sabem das tuas disposições novas e, porque estão acostumados às querelas e agressões, preservam o ambiente prejudicial.

Em teu procedimento de homem novo necessitas do autocontrole, reconquistando os familiares, que se surpreenderão com a tua nova filosofia de vida.
Contorna o primeiro desafio, dilui por antecipação e com sabedoria o mal-estar que ele podia gerar.
Este é o passo inicial para o teu dia feliz.


Joanna de Ângelis e Divaldo Franco, do Livro "Episódios Diários"

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

A PREPARAÇÃO

A fim de ser preservado e mantido, o corpo exige cuidados vários, desde a higiene à conservação das peças que o constituem, sem o que inumeráveis males lhe perturbam o equilíbrio, interrompendo-lhe a existência.
Assim também a alma.
Responsável pela organização somática é a geradora de forças que facultam a vida física, exigindo, por conseqüência, atendimento especial, sem o que se lhe desarticulam os equipamentos sutis, fazendo-a tombar no desfalecimento ou na alucinação com todos os prejuízos disso decorrentes.

Desse modo, antes de qualquer atividade, ao iniciar-se o dia, Reserva-lhe alguns minutos para a sua sustentação.
Faze uma pequena leitura de página otimista e consoladora, que te fixe clichês mentais positivos e agradáveis.
Medita um pouco no seu conteúdo valioso, como a imprimi-lo nas telas
delicadas da memória, de modo que dele te impregnes, estabelecendo uma
disposição favorável às lutas que enfrentarás.
Encerra, esses minutos, com uma prece, através da qual intentes sintonizar com o pensamento da sabedoria universal, haurindo inspiração e forças no amor de Deus.
Equipado com estas energias, terás atendido, em terapia preventiva, a
tua realidade eterna — o eu espiritual — podendo, então, partir para os
primeiros confrontos da experiência do teu novo dia.


Joanna de Ângelis e Divaldo Franco, do Livro "Episódios Diários"

terça-feira, 15 de outubro de 2013

AO AMANHECER

Dia novo, oportunidade renovada.
Cada amanhecer representa divina concessão que não podes nem deves desconsiderar.
Mantém, portanto, atitude positiva em relação aos acontecimentos que devem ser enfrentados;
otimismo diante das ocorrências que surgirão;
coragem no confronto das lutas naturais;
recomeço de tarefa interrompida;
ocasião de realizar o programa planejado.
Cada amanhecer é convite sereno à conquista de valores que parecem inalcançáveis.
À medida que o dia avança, aproveita os minutos, sem pressa nem postergação do dever.

Não te aflijas ante o volume de coisas e problemas que tens pela frente.
Dirige cada ação à sua finalidade específica.
Após concluir um serviço, inicia outro e, sem mágoa dos acontecimentos desagradáveis, volve à lição com disposição, avançando, passo a passo, até o momento de conclusão dos deveres planejados.

Não tragas do dia precedente o resumo das desditas e dos aborrecimentos.
Amanhecendo, começa o teu dia com alegria renovada e sem passado negativo, enriquecido pelas experiências que te constituirão recurso valioso
para a vitória que buscas.

Joanna de Ângelis e Divaldo Franco, do Livro "Episódios Diários" ,

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

ÁS OVELHAS DO BOM PASTOR



“Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que o seu senhor faz; mas eu vos chamo amigos, porque tudo o que ouvi de meu Pai eu vos dei a conhecer” (João, capítulo 15º, versículo 15)

Uma das principais simbologias usadas pelo Cristianismo é a da liderança representada por um pastor e suas ovelhas. O Cristo tem sido apresentado durante os séculos como o Bom Pastor, e a humanidade, o seu rebanho - o conjunto de fiéis a ser dirigido ou orientado por Ele.
Todavia, precisamos entender que o Mestre é diferente do líder paternalista ou autoritário que age no pressuposto de que as criaturas devam ser conduzidas aos empurrões, a golpes de um cajado ou com um cão pastor nos seus calcanhares, com a finalidade de não se desviarem da rota certa.
O conceito de Guia Benevolente ou de Pastor das Almas é verdadeiro no que se refere à solicitude infinita de Deus, por intermédio de Jesus, para com suas criaturas, porém não deve ser entendido como atitude paternalista, quer dizer, dominação sufocante, objetivando à obediência cega.
Atualmente, sugere-se que os líderes não sejam protecionistas e que jamais utilizem a frase “estou fazendo isso visando apenas a seu próprio bem”, a fim de impor furtivamente suas idéias de direção e comando. Os aprendizes do Evangelho não se desenvolvem num clima de servilismo patético, ou seja, não devem ser conduzidos como ovelhas incapazes e inertes, ao som impositivo de um estalido da chibata.
O aprisco seguro, os campos de pastagens e as fontes de água límpida são fatores a ser estimulados pelos dirigentes espíritas aos seareiros iniciantes.
E não os regimes de austeridade paternalista, caracterizados pela tendência a uma eterna passividade que impede o desenvolvimento da própria manutenção física, psíquica e espiritual das criaturas.
Acreditamos que a rebeldia está submetida às forças educadoras da Providência Divina, razão pela qual ninguém precisa forçar ou literalmente “conduzir” os outros ao caminho certo; no momento exato, as leis naturais farão isso.
Um núcleo espírita cristão cresce quando todos se unem com a disposição de desenvolver suas habilidades, sem qualquer rigorismo ou imposições. Há quem acredite que um grupo apenas floresce quando as cabeças pensam de forma idêntica. A prática tem demonstrado o contrário:
companheiros de índole e habilidades diferenciadas obtêm resultados surpreendentes nas tomadas de decisões e encontram com maior facilidade soluções criativas.
Nas searas de ação no bem, não conduzamos os trabalhadores ao redil da mesmice, mas sim às atividades da messe generosa da criatividade e do progresso interior.
O maior desrespeito para com um companheiro de jornada está na tentativa de o constranger aos nossos pontos de vista, sem considerar o que ele pensa, quer ou necessita. Manter um comportamento desinteressado pelas aspirações de liberdade manifestadas pelos liderados - ainda que no intuito de beneficiá-los - é negar-lhes o direito básico à dignidade individual.
O Nazareno não conquistou as multidões que O seguiam sendo prepotente ou desinteressado de suas necessidades. Ele ouviu apelos e respeitou as criaturas. Por isso, não agiu sozinho; arrebanhou inúmeros candidatos ao entendimento da Boa Nova, pois não poderia transmitir sua mensagem particularmente a cada pessoa. Inspirou colaboradores e, assim, criou discípulos que, por sua vez, incentivaram outros obreiros ao serviço na Vinha de Luz.
O comando do Bom Pastor não implica obediência impensada a que se ame o próximo. Ao contrário, sua liderança induz as pessoas a amar ao próximo espontaneamente. Todo ensinamento, na missão do Mestre, reveste-se de profunda expressão figurada:
“Já não vos chamo servos” - serviçais prestam serviços e apenas obedecem as ordens; “porque o servo não sabe o que o seu senhor faz; mas eu vos chamo amigos” - amigos compartilham sentimentos e ideais e participam das atividades de modo voluntário.
“Tudo o que ouvi de meu Pai eu vos dei a conhecer” -na amizade e no amor se repartem os bens imortais da alma.
Os verdadeiros líderes iluminam o lado positivo de seus liderados, revelando o que neles existe de bom e incentivando-os ao crescimento.
As ovelhas do rebanho do Senhor são convocadas ao aperfeiçoamento de seus sentidos interiores, para que possam por si mesmas perceber e interpretar, onde estiverem, a voz do comando amoroso do Bom Pastor.

Do livro “CONVIVER E MELHORAR”  pelo espírito Batuíra e psicografado por Francisco do Espírito Santo Neto

domingo, 13 de outubro de 2013

ORAÇÃO DE TODOS OS DIAS

Oração de Todos os Dias 
Senhor,
Fazei-me perceber que o trabalho do bem me aguarda em toda parte.
Não me consistas perder tempo atravéz de indagações inúteis.
Lembra-me por misericórdia, que estou no caminho da evolução, com os meus semelhantes, não para consertá-los e sim para atender a minha própria melhoria.
Induza-me a respeitar os direitos alheios, afim de que os meus sejam preservados.
Dê-me consciência do lugar que me compete, para que não esteja a exigir da vida aquilo que não me pertence.
Não me permita sonhar com realizações incompatíveis com os meus recursos, entretanto por acréscimo de bondade fortaleça-me para execução das pequeninas tarefas ao meu alcance.
Apaga-me os melindres pessoais, de modo que não me transforme em estorvo diante dos irmãos aos quais devo convivência e cooperação.
Auxilia-me a reconhecer que cansaço e dificuldade não pode converter-me em pessoa intratável mas mostra-me por piedade quanto posso fazer nas obras usando paciência e coragem acima de quaisquer provações que me atinjam a existência.
Concede-me forças para irradiar a paz e o amor que nos ensinastes, e sobre tudo Senhor, perdoa as minhas fragilidades e sustenta a minha fé para que eu possa estar sempre em ti, servindo aos outros.
Que assim seja!

sábado, 12 de outubro de 2013

"TODO FILHO É PAI DA MORTE DE SEU PAI"

Há uma quebra na história familiar onde as idades se acumulam e se sobrepõem e a ordem natural não tem sentido: é quando o filho se torna pai de seu pai.
É quando o pai envelhece e começa a trotear como se estivesse dentro de uma névoa. Lento, devagar, impreciso.
É quando aquele pai que segurava com força nossa mão já não tem como se levantar sozinho. É quando aquele pai, outrora firme e instransponível, enfraquece de vez e demora o dobro da respiração para sair de seu lugar.
É quando aquele pai, que antigamente mandava e ordenava, hoje só suspira, só geme, só procura onde é a porta e onde é a janela - tudo é corredor, tudo é longe.
É quando aquele pai, antes disposto e trabalhador, fracassa ao tirar sua própria roupa e não lembrará de seus remédios.
E nós, como filhos, não faremos outra coisa senão trocar de papel e aceitar que somos responsáveis por aquela vida. Aquela vida que nos gerou depende de nossa vida para morrer em paz.
Todo filho é pai da morte de seu pai.
Ou, quem sabe, a velhice do pai e da mãe seja curiosamente nossa última gravidez. Nosso último ensinamento. Fase para devolver os cuidados que nos foram confiados ao longo de décadas, de retribuir o amor com a amizade da escolta.
E assim como mudamos a casa para atender nossos bebês, tapando tomadas e colocando cercadinhos, vamos alterar a rotina dos móveis para criar os nossos pais.
Uma das primeiras transformações acontece no banheiro.
Seremos pais de nossos pais na hora de pôr uma barra no box do chuveiro.
A barra é emblemática. A barra é simbólica. A barra é inaugurar um cotovelo das águas.
Porque o chuveiro, simples e refrescante, agora é um temporal para os pés idosos de nossos protetores. Não podemos abandoná-los em nenhum momento, inventaremos nossos braços nas paredes.
A casa de quem cuida dos pais tem braços dos filhos pelas paredes. Nossos braços estarão espalhados, sob a forma de corrimões.
Pois envelhecer é andar de mãos dadas com os objetos, envelhecer é subir escada mesmo sem degraus.
Seremos estranhos em nossa residência. Observaremos cada detalhe com pavor e desconhecimento, com dúvida e preocupação. Seremos arquitetos, decoradores, engenheiros frustrados. Como não previmos que os pais adoecem e precisariam da gente?
Nos arrependeremos dos sofás, das estátuas e do acesso caracol, nos arrependeremos de cada obstáculo e tapete.
E feliz do filho que é pai de seu pai antes da morte, e triste do filho que aparece somente no enterro e não se despede um pouco por dia.
Meu amigo José Klein acompanhou o pai até seus derradeiros minutos.
No hospital, a enfermeira fazia a manobra da cama para a maca, buscando repor os lençóis, quando Zé gritou de sua cadeira:
— Deixa que eu ajudo.
Reuniu suas forças e pegou pela primeira vez seu pai no colo.
Colocou o rosto de seu pai contra seu peito.
Ajeitou em seus ombros o pai consumido pelo câncer: pequeno, enrugado, frágil, tremendo.
Ficou segurando um bom tempo, um tempo equivalente à sua infância, um tempo equivalente à sua adolescência, um bom tempo, um tempo interminável.
Embalou o pai de um lado para o outro.
Aninhou o pai.
Acalmou o pai.
E apenas dizia, sussurrado:
— Estou aqui, estou aqui, pai!
O que um pai quer apenas ouvir no fim de sua vida é que seu filho está ali.

Texto de Fabrício Carpinejar, publicado no site da Zero Hora dia 06/10/2013.