segunda-feira, 14 de outubro de 2013

ÁS OVELHAS DO BOM PASTOR



“Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que o seu senhor faz; mas eu vos chamo amigos, porque tudo o que ouvi de meu Pai eu vos dei a conhecer” (João, capítulo 15º, versículo 15)

Uma das principais simbologias usadas pelo Cristianismo é a da liderança representada por um pastor e suas ovelhas. O Cristo tem sido apresentado durante os séculos como o Bom Pastor, e a humanidade, o seu rebanho - o conjunto de fiéis a ser dirigido ou orientado por Ele.
Todavia, precisamos entender que o Mestre é diferente do líder paternalista ou autoritário que age no pressuposto de que as criaturas devam ser conduzidas aos empurrões, a golpes de um cajado ou com um cão pastor nos seus calcanhares, com a finalidade de não se desviarem da rota certa.
O conceito de Guia Benevolente ou de Pastor das Almas é verdadeiro no que se refere à solicitude infinita de Deus, por intermédio de Jesus, para com suas criaturas, porém não deve ser entendido como atitude paternalista, quer dizer, dominação sufocante, objetivando à obediência cega.
Atualmente, sugere-se que os líderes não sejam protecionistas e que jamais utilizem a frase “estou fazendo isso visando apenas a seu próprio bem”, a fim de impor furtivamente suas idéias de direção e comando. Os aprendizes do Evangelho não se desenvolvem num clima de servilismo patético, ou seja, não devem ser conduzidos como ovelhas incapazes e inertes, ao som impositivo de um estalido da chibata.
O aprisco seguro, os campos de pastagens e as fontes de água límpida são fatores a ser estimulados pelos dirigentes espíritas aos seareiros iniciantes.
E não os regimes de austeridade paternalista, caracterizados pela tendência a uma eterna passividade que impede o desenvolvimento da própria manutenção física, psíquica e espiritual das criaturas.
Acreditamos que a rebeldia está submetida às forças educadoras da Providência Divina, razão pela qual ninguém precisa forçar ou literalmente “conduzir” os outros ao caminho certo; no momento exato, as leis naturais farão isso.
Um núcleo espírita cristão cresce quando todos se unem com a disposição de desenvolver suas habilidades, sem qualquer rigorismo ou imposições. Há quem acredite que um grupo apenas floresce quando as cabeças pensam de forma idêntica. A prática tem demonstrado o contrário:
companheiros de índole e habilidades diferenciadas obtêm resultados surpreendentes nas tomadas de decisões e encontram com maior facilidade soluções criativas.
Nas searas de ação no bem, não conduzamos os trabalhadores ao redil da mesmice, mas sim às atividades da messe generosa da criatividade e do progresso interior.
O maior desrespeito para com um companheiro de jornada está na tentativa de o constranger aos nossos pontos de vista, sem considerar o que ele pensa, quer ou necessita. Manter um comportamento desinteressado pelas aspirações de liberdade manifestadas pelos liderados - ainda que no intuito de beneficiá-los - é negar-lhes o direito básico à dignidade individual.
O Nazareno não conquistou as multidões que O seguiam sendo prepotente ou desinteressado de suas necessidades. Ele ouviu apelos e respeitou as criaturas. Por isso, não agiu sozinho; arrebanhou inúmeros candidatos ao entendimento da Boa Nova, pois não poderia transmitir sua mensagem particularmente a cada pessoa. Inspirou colaboradores e, assim, criou discípulos que, por sua vez, incentivaram outros obreiros ao serviço na Vinha de Luz.
O comando do Bom Pastor não implica obediência impensada a que se ame o próximo. Ao contrário, sua liderança induz as pessoas a amar ao próximo espontaneamente. Todo ensinamento, na missão do Mestre, reveste-se de profunda expressão figurada:
“Já não vos chamo servos” - serviçais prestam serviços e apenas obedecem as ordens; “porque o servo não sabe o que o seu senhor faz; mas eu vos chamo amigos” - amigos compartilham sentimentos e ideais e participam das atividades de modo voluntário.
“Tudo o que ouvi de meu Pai eu vos dei a conhecer” -na amizade e no amor se repartem os bens imortais da alma.
Os verdadeiros líderes iluminam o lado positivo de seus liderados, revelando o que neles existe de bom e incentivando-os ao crescimento.
As ovelhas do rebanho do Senhor são convocadas ao aperfeiçoamento de seus sentidos interiores, para que possam por si mesmas perceber e interpretar, onde estiverem, a voz do comando amoroso do Bom Pastor.

Do livro “CONVIVER E MELHORAR”  pelo espírito Batuíra e psicografado por Francisco do Espírito Santo Neto

domingo, 13 de outubro de 2013

ORAÇÃO DE TODOS OS DIAS

Oração de Todos os Dias 
Senhor,
Fazei-me perceber que o trabalho do bem me aguarda em toda parte.
Não me consistas perder tempo atravéz de indagações inúteis.
Lembra-me por misericórdia, que estou no caminho da evolução, com os meus semelhantes, não para consertá-los e sim para atender a minha própria melhoria.
Induza-me a respeitar os direitos alheios, afim de que os meus sejam preservados.
Dê-me consciência do lugar que me compete, para que não esteja a exigir da vida aquilo que não me pertence.
Não me permita sonhar com realizações incompatíveis com os meus recursos, entretanto por acréscimo de bondade fortaleça-me para execução das pequeninas tarefas ao meu alcance.
Apaga-me os melindres pessoais, de modo que não me transforme em estorvo diante dos irmãos aos quais devo convivência e cooperação.
Auxilia-me a reconhecer que cansaço e dificuldade não pode converter-me em pessoa intratável mas mostra-me por piedade quanto posso fazer nas obras usando paciência e coragem acima de quaisquer provações que me atinjam a existência.
Concede-me forças para irradiar a paz e o amor que nos ensinastes, e sobre tudo Senhor, perdoa as minhas fragilidades e sustenta a minha fé para que eu possa estar sempre em ti, servindo aos outros.
Que assim seja!

sábado, 12 de outubro de 2013

"TODO FILHO É PAI DA MORTE DE SEU PAI"

Há uma quebra na história familiar onde as idades se acumulam e se sobrepõem e a ordem natural não tem sentido: é quando o filho se torna pai de seu pai.
É quando o pai envelhece e começa a trotear como se estivesse dentro de uma névoa. Lento, devagar, impreciso.
É quando aquele pai que segurava com força nossa mão já não tem como se levantar sozinho. É quando aquele pai, outrora firme e instransponível, enfraquece de vez e demora o dobro da respiração para sair de seu lugar.
É quando aquele pai, que antigamente mandava e ordenava, hoje só suspira, só geme, só procura onde é a porta e onde é a janela - tudo é corredor, tudo é longe.
É quando aquele pai, antes disposto e trabalhador, fracassa ao tirar sua própria roupa e não lembrará de seus remédios.
E nós, como filhos, não faremos outra coisa senão trocar de papel e aceitar que somos responsáveis por aquela vida. Aquela vida que nos gerou depende de nossa vida para morrer em paz.
Todo filho é pai da morte de seu pai.
Ou, quem sabe, a velhice do pai e da mãe seja curiosamente nossa última gravidez. Nosso último ensinamento. Fase para devolver os cuidados que nos foram confiados ao longo de décadas, de retribuir o amor com a amizade da escolta.
E assim como mudamos a casa para atender nossos bebês, tapando tomadas e colocando cercadinhos, vamos alterar a rotina dos móveis para criar os nossos pais.
Uma das primeiras transformações acontece no banheiro.
Seremos pais de nossos pais na hora de pôr uma barra no box do chuveiro.
A barra é emblemática. A barra é simbólica. A barra é inaugurar um cotovelo das águas.
Porque o chuveiro, simples e refrescante, agora é um temporal para os pés idosos de nossos protetores. Não podemos abandoná-los em nenhum momento, inventaremos nossos braços nas paredes.
A casa de quem cuida dos pais tem braços dos filhos pelas paredes. Nossos braços estarão espalhados, sob a forma de corrimões.
Pois envelhecer é andar de mãos dadas com os objetos, envelhecer é subir escada mesmo sem degraus.
Seremos estranhos em nossa residência. Observaremos cada detalhe com pavor e desconhecimento, com dúvida e preocupação. Seremos arquitetos, decoradores, engenheiros frustrados. Como não previmos que os pais adoecem e precisariam da gente?
Nos arrependeremos dos sofás, das estátuas e do acesso caracol, nos arrependeremos de cada obstáculo e tapete.
E feliz do filho que é pai de seu pai antes da morte, e triste do filho que aparece somente no enterro e não se despede um pouco por dia.
Meu amigo José Klein acompanhou o pai até seus derradeiros minutos.
No hospital, a enfermeira fazia a manobra da cama para a maca, buscando repor os lençóis, quando Zé gritou de sua cadeira:
— Deixa que eu ajudo.
Reuniu suas forças e pegou pela primeira vez seu pai no colo.
Colocou o rosto de seu pai contra seu peito.
Ajeitou em seus ombros o pai consumido pelo câncer: pequeno, enrugado, frágil, tremendo.
Ficou segurando um bom tempo, um tempo equivalente à sua infância, um tempo equivalente à sua adolescência, um bom tempo, um tempo interminável.
Embalou o pai de um lado para o outro.
Aninhou o pai.
Acalmou o pai.
E apenas dizia, sussurrado:
— Estou aqui, estou aqui, pai!
O que um pai quer apenas ouvir no fim de sua vida é que seu filho está ali.

Texto de Fabrício Carpinejar, publicado no site da Zero Hora dia 06/10/2013.


sexta-feira, 11 de outubro de 2013

30 MANEIRAS DE TRATAR UMA PESSOA COM DEFICIÊNCIA


Como tratar...


1. Errado: Evitar falar com os deficientes sobre coisas que uma pessoa normal pode fazer e eles não.

Certo: Conversar normalmente com os deficientes, falando sobre todos os assuntos, pois é bom para eles saberem mesmo das coisas que não podem ouvir, ver ou participar por causa da limitação de movimentos.

2. Errado: Elogiar ou depreciar uma pessoa deficiente, somente por ela ser limitada.

Certo: Tratar o deficiente como alguém com limitações específicas da deficiência, porém com as mesmas qualidades e defeitos de qualquer ser humano.

3. Errado: Superproteger o deficiente, fazendo coisas por ele.

Certo: Permitir que o deficiente desenvolva ao máximo suas potencialidades, ajudando-o apenas quando for realmente necessário.

4. Errado: Chamar o deficiente pelo apelido relativo à sua deficiência (ex.: surdinho, surdo, mudo, cego, maneta etc.), pois ele pode se ofender.

Certo: Chamar a pessoa deficiente pelo nome, como se faz com qualquer outra pessoa.

5. Errado: Dirigir-se à pessoa cega como se ela fosse surda, fazendo esforço para que ela ouça melhor. O cego não é surdo.

Certo: Conversar com o cego em tom de voz normal.

6. Errado: Referir-se à deficiência da pessoa como uma desgraça, como algo que mereça piedade e vá ser compensado no céu.

Certo: Falar da deficiência como um problema, entre outros, que apenas limita a vida em certos aspectos específicos.

7. Errado: Demonstrar pena da pessoa deficiente.

Certo: Tratar pessoa deficiente como alguém capaz de participar da vida em todos os sentidos.

8. Errado: Usar adjetivos como "maravilhoso", "fantástico" etc., cada vez que se vê uma pessoa deficiente fazendo algo que aparentemente não conseguiria (por exemplo, ver o cego discar o telefone ou ver as horas, ver um surdo falar e/ou compreender o que lhe falam).

Certo: Conscientizar-se de que a pessoa deficiente desenvolve estratégias diárias e superando normalmente os obstáculos, e não mostrar espanto diante de um fato que é comum para o deficiente.

9. Errado: Referir-se às habilidades de um deficiente como "sexto sentido" (no caso do cego e surdo, por exemplo) ou como uma "compensação da natureza".

Certo: Encarar como decorrência normal da deficiência o desenvolvimento de habilidades que possam parecer extraordinárias para uma pessoa comum.


10. Errado: Evitar usar as palavras ver, ouvir, andar, etc., diante de pessoas que sejam cegas, surdas ou privadas de movimentos.

Certo: Conversar normalmente com os deficientes, para que eles não se sintam diferenciados por perceptível constrangimento no falar do interlocutor.

11. Errado: Deixar de oferecer ajuda a uma pessoa deficiente em qualquer situação (por exemplo, cego atravessando a rua, pessoa de muleta subindo no ônibus etc.), mesmo que às vezes o deficiente responda mal, interpretando isto como gesto de piedade. A maioria dos deficientes necessita de ajuda em diversas situações.

Certo: Ajudar o deficiente sempre que for realmente necessário, sem generalizar quaisquer experiências desagradáveis, atribuindo-as somente a pessoas deficientes, pois podem acontecer também com as pessoas normais.

12. Errado: Supervalorizar o deficiente, achando que ele pode resolver qualquer problema sozinho (por exemplo, o cego alcançar qualquer porta apenas contando os passos, sem que alguém indique a direção).

Certo: Conscientizar-se de que as limitações de um deficiente são reais, e muitas vezes ele precisa de auxílio.

13. Errado: Recusar a ajuda oferecida por uma pessoa deficiente, em qualquer situação ou tarefa, por acreditar que não seja capaz de realizá-la.

Certo: Confiar na pessoa deficiente, acreditando que ela só lhe oferecerá ajuda se estiver segura de poder fazer aquilo a que se propõe. O deficiente conhece melhor do que ninguém suas limitações e capacidades.

14. Errado: Ao falar, principalmente com o cego, dirigir-se ao acompanhante do deficiente, e não ao deficiente, como se ele fosse incapaz de pensar, dizer e agir por si.

Certo: Dirigir-se sempre ao próprio deficiente, quando o assunto referir-se a ele, mesmo que esteja acompanhado.

15. Errado: Agarrar a pessoa cega pelo braço para guiá-la, pois ela perde a orientação.

Certo: Deixar que o cego segure no braço ou apoie a mão no ombro de quem o guia.

16. Errado: Agarrar pelo braço pessoas com muletas, ou segurar abruptamente uma cadeira de rodas, ao ver o deficiente diante de uma possível dificuldade.

Certo: Ao ver o deficiente diante de um possível obstáculo, perguntar se ele precisa de ajuda, e qual a maneira correta de ajudá-lo. Agarrar um aparelho ortopédico ou uma cadeira de rodas, repentinamente, é uma atitude agressiva, como agarrar qualquer parte do corpo de uma pessoa comum sem aviso.

17. Errado: Segurar o deficiente, na tentativa de ajudá-lo, quando já houver uma pessoa orientando-o, principalmente no caso do cego.

Certo: Quando houver necessidade ajuda ou orientação, apenas uma pessoa deve tocar o deficiente, a não ser em situações muito específicas, que peçam mais ajuda (por exemplo, carregar uma cadeira de rodas para subir uma escada).

18. Errado: Carregar o deficiente, principalmente o cego, ajudá-lo a atravessar a rua, tomar condução, subir ou descer escadas.

Certo: Auxiliar o deficiente nestas situações apenas até o ponto em que realmente seja necessário, para evitar atrapalhá-lo mais.

19. Errado: Pegar a pessoa cega pelo braço para colocá-la na posição
correta de sentar numa cadeira.

Certo: Colocar a mão do cego sobre o espaldar da cadeira e deixar que ele se sente como achar melhor.

20. Errado: Guiar a pessoa cega em diagonal quando atravessar a rua.

Certo: Atravessar o cego sempre em linha reta, para que não perca a orientação.

21. Errado: Tratar o deficiente com constrangimento, evitando falar sobre sua deficiência.

Certo: Conversar naturalmente com o deficiente sobre sua deficiência, evitando porém perguntas em excesso. Na maioria dos casos, ele preferirá falar normalmente sobre aquilo que é apenas parte de sua vida, e não uma coisa anormal ou extraordinária, como possa parecer ao interlocutor.

22. Errado: Levar o cego a qualquer lugar onde haja mais pessoas e entrar como se ele pudesse ver quem está no recinto.

Certo: Apresentar o cego a todas as pessoas que estejam num local onde ele é levado por outra pessoa vidente.

23. Errado: Ao receber um cego em sua casa, deixá-lo orientar-se sozinho.

Certo: Ao receber um cego em sua casa, mostre-lhe todas as dependências e os possíveis obstáculos, e deixe que ele se oriente, colocando-se disponível para mostrar-lhe novamente alguma dependência, caso ele ache necessário.

24. Errado: Constranger-se em avisar o cego de que ele está com alguma coisa errada na sua vestimenta ou aparência física, ou que está fazendo movimentos não usuais, como balançar-se ou manter a cabeça baixa durante uma conversa.

Certo: Conscientizar-se de que o cego, por não enxergar, não segue o padrão de imitação visual, não podendo, portanto, seguir o comportamento aparente das pessoas videntes. Avisar o cego sempre que perceber que ele está com aparência ou comportamento fora do padrão social normal, evitando que ele caia no ridículo.

25. Errado: Avançar subitamente sobre a pessoa deficiente por achar que ela não vai conseguir realizar uma tarefa (por exemplo, quando o cego está levando o garfo à boca), se o deficiente não solicitar ajuda.

Certo: Permitir que o deficiente realize sozinho suas tarefas, mesmo quando lhe pareça impossível. Só se deve socorrê-lo em caso de perigo.

26. Errado: Agarrar a pessoa cega com intuito de orientá-la quando ela está caminhando normalmente na rua.

Certo: Deixar que o cego aprenda por si só a transpor os obstáculos da rua, pois ele é capaz de fazê-lo sozinho. Segurar seu braço, exceto no sinal ou diante de algum perigo real, na verdade o desorienta.

27. Errado: Chamar a atenção para o aparelho de surdez.

Certo: Estimular o uso do aparelho, encarando-o com a mesma naturalidade com que são vistos os óculos.

28. Errado: Gritar de longe e/ou às costas de uma pessoa surda para chamá-la.

Certo: Para chamar a atenção de uma pessoa surda que esteja de costas, deve-se tocá-la, de leve, no braço, antes de começar a falar com ela.

29. Errado: Gritar para chamar a atenção de uma pessoa surda que esteja em perigo.

Certo: Procurar chegar até ela o mais rapidamente possível, procurando ajudá-la. Lembrar que uma pessoa que atravessa a rua poderá ser surda, podendo, por isso, não ouvir a buzina do carro. 




30. Respeite-o!


quinta-feira, 10 de outubro de 2013

SEPARAÇÕES E CONSCIÊNCIA


Não são poucos nem novos os argumentos e movimentos favoráveis às separações conjugais, ao se verificar que as estruturas da convivência estão abaladas no quotidiano.

Variadas sociedades apresentaram a opção separatista para os casais, silenciando quanto a quaisquer me­canismos e formas capazes de atenuar o problema, contorná-lo ou mesmo desfazê-lo.

A separação, seja qual for o tratamento legal com que se recubra, seja separação simples, desquite ou divórcio, em sendo uma medida extrema para os envolvidos nas dificuldades, somente deveria ser evocada e aplicada em casos igualmente extremos, quando o desrespeito humano chegasse ao absurdo ou a violência despenhasse para a agressão física ou para os disparates morais, capazes de promover ainda piores resultados.

Ninguém deverá ser forçado a conviver com alguém com quem não se ajusta ou não mais se ajusta, quando tenha tido o ensejo da experiência a dois. Ao mesmo tempo não se deverá menosprezar os sinais da responsabilidade decorrente das escolhas levianas, dos conúbios da paixão enganadora, nos quais um procura iludir o outro com mentirosos envolvimentos para o abandono de mais tarde.

Sem hesitação, afirmamos que toda separação traumatiza o psiquismo de um ou de outro, ou dos dois, em admitindo que as pessoas não são feitas de mármore, frias ainda que tentem passar essa imagem aos que as cercam ou se esforcem por não incomodar os afetos e amigos.

As dúvidas intensas quanto às razões verdadeiras da desunião misturam-se aos sentimentos de insegurança quanto ao desempenho conjugal, nos vários lances a que se presta.

Desalentam o recomeço da vida afetiva e as incertezas quanto aos riscos de enveredar-se por outras experiências de construção do lar ou quanto às vantagens de permanecer sozinho, diante da carência de aconchego e de companhia compartilhados no bojo doméstico.

Os estigmas sociais em diversas regiões, não obstante o caráter de modernidade que têm tomado, somam-se à angústia de ter-se que explicar aos filhos, quando existam, os porquês de tudo e de quem é a responsabilidade maior pelo sucedido infausto.

É muito comum que se encontre um dos separados lançando a mente dos filhos contra a imagem do outro, sem qualquer noção do veneno tremendo que é destilado e do quanto o problema se ampliará para todos os implicados na questão dificultosa.

Minha irmã e meu irmão, ninguém duvida das lutas e das frustrações que costumam perturbar a senda dos seus anseios matrimoniais. Ninguém seria tolo ao ponto de descrer dessas problemáticas portas adentro do seu refúgio doméstico. Entretanto, pensem que a separação não deverá ser a primeira opção na pauta de soluções dos seus dramas conjugais.

É válido não trocar desnecessariamente um problema áspero, às vezes, por outro que não será menos rude, tendo-se em vista que no mundo ninguém é detentor da totalidade das virtudes. Valem a pena as tentativas que o respeito a si mesmo e o equilíbrio ético-moral-mental recomendam, para resgatar o lar mergulhado em situações ameaçadoras.

É válido tentar-se o diálogo esclarecedor, o carinho límpido, o acompanhamento solidário, a oração honesta e profunda, a prodigiosa cooperação fluidoterápica ou mesmo a procura de algum profissional equilibrado e digno, que respeite a construção familiar, a fim de evitar a separação definitiva.

A consciência do dever cumprido, porém, e a certeza de que tudo foi tentado em nome do bom senso e da grandeza moral, para a mantença do ninho doméstico, permitirá a uma parte ou outra o desatamento dos vínculos sociais do consórcio matrimonial, muito embora não se possa garantir o desatamento dos vínculos espirituais que estejam nas bases do processo conjugal.

Evite, então, o quanto possa, a opção do abandono do outro, principalmente se você, por crer em Deus e nas Suas Leis de sabedoria plena, estiver disposto a testar as suas próprias resistências e convicções, suportando um pouco mais e, além disso, contribuir para que tudo possa modificar-se de maneira mais feliz.

Se o seu caso é daqueles em que a separação já é uma realidade, sem possibilidades de retroagir, aprume-se perante as leis cósmicas vigentes em sua consciência, a fim de conquistar calma e entusiasmo de viver.

Fuja das aventuras promíscuas e fúteis supondo estar livre e desimpedido. Você poderá ter-se liberado da presença da outra pessoa, contudo, nunca se livrará da consciência que pulsa, que se manifesta em seu íntimo. Viva com correção e saúde, sem se permitir adoecer no desalinho espiritual, nos comprometimentos inferiores.

Se você já se envolveu em nova união conjugal, com a pessoa que mereceu sua confiança e que lhe sensibilizou a alma, tenha, agora, maiores cuidados, buscando superar os seus próprios conflitos, caprichos e erros, com­preendendo as deficiências da sua alma escolhida, em virtude de que a vida na Terra não pode ser transformada num mero brinquedo em suas mãos.

Não alimente revoltas, não reabasteça as labaredas do ódio, não mantenha indiferença para com aqueles que lhe partilharam a vida doméstica. Antes, ore por eles, como, onde e com quem estejam, a fim de que, sabendo que num dia ou noutro, no porvir, você será chamado a retomar os passos deixados para trás, de modo a corrigi-los, não pese nos seus ombros a canga de maiores remorsos por haver contribuído para a infelicidade de outros, por meio de suas vibrações e energias envenenadas, desfechadas pelo seu temperamento rebelde ou por seu humor sombrio.

Em todo e qualquer caso, entregue-se ao Pai dos Céus. Faça um profundo exame das dificuldades deixadas na retaguarda e das benditas possibilidades entrevistas à frente e siga contente na busca de maior plenitude e de identificação gradativa com a vontade de Deus, nos percursos que você está fazendo nas lides terrenas.




(BRITO, Thereza de (Espírito). Vereda Familiar. [psicografado por] J. Raul Teixeira. 5ª ed. Niterói, RJ: Fráter Livros Espíritas, 2004. Capítulo 08

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

ANTE OS PEQUENINOS


A criança é uma edificação espiritual dos responsáveis por ela.  
Não existe criança - nem uma só - que não solicite amor e auxilio, educação e entendimento.

Cada pequenino, conquanto seja, via de regra, um espírito adulto, traz o cérebro extremamente sensível pelo fato de estar reiniciando o trabalho da reencarnação, tornando-se, por isso mesmo, um observador rigorista de tudo o que você fala e faz.

A mente infantil dar-nos-á de volta, no futuro, tudo aquilo que lhe dermos agora.

Toda criança é um mundo espiritual em construção ou reconstrução, solicitando material digno a fim de consolidar-se.

Ajude os meninos de hoje a pensar com acerto dialogando com eles, dentro das normas do respeito e sinceridade que você espera dos outros em relação a você.

A criança é um capitulo especial no livro do seu dia-a-dia.

Não tente transfigurar seus filhinhos em bibelôs, apaixonadamente guardados, porque são eles espíritos eternos, como acontece a nós, e chegará o dia em que despedaçarão perante você mesmo quaisquer amarras de ilusão.

Se você encontra algum pirralho de maneiras desabridas ou de formação inconveniente, não estabeleça censura, reconhecendo que o serviço de reeducação dele, na essência pertence aos pais ou aos responsáveis e não a você.

Se veio a sofrer algum prejuízo em casa, por depredações de pequeninos travessos, esqueça isso, refletindo no amor e na consideração que você deve aos adultos que respondem por eles.



Francisco CândidoXavier/André Luiz.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

ANTIPATIAS! MAS SERÁ MESMO DE VIDAS PASSADAS?


Jesus, o maior sábio que passou por nós, ensinava-nos a surpreender.
Se te fizerem o mal, não rebatas, ao contrário, faz todo o bem possível, dizia ELE...
A mensagem de Jesus fez-me lembrar uma situação que passei há alguns anos. Eu nutria certa antipatia por determinada pessoa por conta de sua religião, naquela arcaica mania de considerar que apenas aquilo que cremos leva-nos à verdade.
Ela, porém, talvez captando meus fluidos antipáticos não me destilou dardos mentais ou se afastou.
Fez o contrário.
Sem falsidade ou ironia descobriu o que eu gostava de comer e presenteou-me com a guloseima.
Uma atitude simples, sem alarde, mas que me fez refletir sobre minha antipatia gratuita.
Quando adoeci em 2011, lá estava ela com suas orações, pedidos aos santos e vibrações em meu benefício.
Sim, era e foi possível sermos amigos.
Somos até hoje.
Fico a refletir naquelas pessoas que nutrem antipatia gratuita por outras e não se dão o trabalho de refletir nas razões... Certamente perdem ótimas oportunidades de enriquecer a existência fazendo amigos...
O Espiritismo nos ensina que ninguém é mau apenas porque nutre antipatias por esta ou aquela pessoa.
Em muitas ocasiões a antipatia é oriunda da falta de afinidade de idéias. No entanto, os Espíritos afirmam também que quanto mais evoluirmos menos antipatias teremos no universo, este lar que nos abriga.
Natural que seja assim, afinal, estamos caminhando para o equilíbrio e seres equilibrados não andam por ai “caçando antipatias”.
Obviamente que as antipatias podem ter residência em existências passadas, contudo, nem sempre é assim. Não raro as antipatias são oriundas de uma certa “má vontade” de nossa parte em compreender o ponto de vista do outro, ou enxergar suas virtudes.
Não é legal depositarmos a nossa antipatia apenas na conta das existências passadas. “São desafetos”, dizem os mais apressados.
Esta é uma idéia muito rasa.
Ora, se Deus nos proporcionou o esquecimento temporário uma das razões é justamente a de que é necessário ter um pouco de boa vontade para superar alguns traumas passados.
Recordo-me de um amigo, muito rico, que comentou certa vez: “ Minha maior conquista nesta existência não foram os apartamentos, empresas e terrenos que possuo... Minha maior conquista foi ter reconciliado-me com meu pai. Almas antipáticas, conseguimos superar com muito esforço o que nos desunia. Hoje, embora tenhamos divergências, convivemos de forma pacífica e somos, QUEM DIRIA?! bons amigos”...
Que beleza! Como é bom poder enfrentar nossos próprios fantasmas e dar o grito de libertação do egoísmo que caracteriza o homem antigo.
Fiquei feliz pelo meu amigo...
Que possamos, dentro da medida do possível refletirmos nas razões que nos levam a ter antipatia por A, B ou C.
O mestre orientava que em casos de antipatia, ofensas, dificuldades, façamos o contrário, exercitemos a boa vontade.
As lições de Jesus são tão simples, pena que muitas vezes complicamos...
Pensemos nisto!

Wellington Balbo