- Dói muito mais arrancar um cabelo de um europeu, que amputar uma perna, a frio, de um africano.
Passa mais fome um francês com três refeições por dia, que um sudanês com um rato por semana.
É muito mais doente um alemão com gripe, que um indiano com lepra.
Sofre muito mais uma americana com caspa, que uma iraquiana sem leite para os filhos.
É mais perverso cancelar o cartão de crédito de um belga, que roubar o pão da boca de um tailandês.
É muito mais grave jogar um papel ao chão na Suíça, que queimar uma floresta inteira no Brasil.
É muito mais intolerável o xador de uma muçulmana, que o drama de mil desempregados na Espanha.
É mais obscena a falta de papel higiênico num lar sueco, que a de água potável em dez aldeias do Sudão.
É mais inconcebível a escassez de gasolina na Holanda, que a de insulina nas Honduras.
É mais revoltante um português sem celular, que um moçambicano sem livros para estudar.
É mais triste uma laranjeira seca num kibutz hebreu, que a demolição de um lar na Palestina.
Traumatiza mais a falta de uma Barbie de uma menina inglesa, que a visão do assassínio dos pais de um menino ugandês.
E isto não são versos; isto são débitos numa conta sem provisão do Ocidente.Desconhecemos autoriaPostado no facebook de Mari Jeronimo(FOTO: Ghandi, em 1940, oferecendo 15 minutos diários de massagem num leproso.)
"Nascer, viver, morrer, renascer ainda e progredir sempre, tal é a Lei". - Fundada em 29.01.1937 - Filiada a FERGS sob nº 175
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
A CARIDADE COMEÇA EM CASA
É muito frequente se ouvir a máxima A CARIDADE COMEÇA EM CASA e é sobre isso que nos permitimos refletir.
Quando alguma afirmação é feita há de se analisar sob que prisma deve ser vista. Muitas pessoas ociosas usam tão sábia frase para se enclausurar em suas casas achando que o simples fato de estarem dando assistência material à sua família já cumprem totalmente a proposta evangélica. Puro engano. Precisamos estabelecer o que uma casa e o que é um lar. Enquanto o primeiro é um reduto de alvenaria que nos abriga das intempéries, o segundo é o núcleo familiar, aquele interior que poderá ser ou não bem estruturado.
Compreendemos que o nosso lar é a fonte onde vamos saciar nossa sede e nos prepararmos para investir na luta fora de casa para levantarmos os fracos e oprimidos que jazem caídos nos cantos da vida material e moral. Vemos na formação dos lares hoje em dia muitas falhas, onde os pais estão apenas preocupados com a caminhada universitária de seus filhos sem a preocupação de dar-lhes respaldo educativo. É mister salientar que a formação do homem acontece no lar e é ai que ele vai buscar ser um bom filho, bom pai e pessoa útil para a humanidade. Na escola ele buscará informações a fim de incorporar à educação recebida de seus pais ou tutores.
Há uma inversão de interpretação e muitos pais desavisados transferem para a escola a EDUCAÇÃO propriamente dita de seus filhos. Coisa que escola alguma realizará. Faculdade ou escola é lugar para se buscar informações e não elemento educativo. Muitos jovens estão se desencaminhando porque aceitam as sugestões dos pais quando lhes falam: “Podem ter a vida que quiserem, contanto que tragam o diploma da faculdade”. Erro puro com a humanidade e com as leis Divinas.
A grande verdade em que o egoísmo do homem ainda grita forte no peito de cada um. O jovem passa a ver os pais e a sociedade muito distantes. Outra frase que acomoda o homem é aquela que diz “Não faça aos outros o que não queres que os outros te façam”. Isto é um convite para a inércia que foi logo combatida por Jesus quando a retificou dizendo “Faça aos outros aquilo que quereis que os outros te façam”. Vejam que existe profunda modificação conceitual.
Enquanto a primeira sugere não fazer, a outra leva o homem a redenção de se por a campo buscando realizar o melhor possível para que tudo reverta a seu benefício. O não faça da primeira frase é um bom convite ao ostracismo e a irresponsabilidade. O núcleo familiar é algo sério e não pode ficar à deriva como um barco sem condutor. Cabe aos pais, realizar reuniões semanais com sua família a fim de trocarem informações e buscar mais identificação um com os outros. Tais reuniões devem ser as mais formais possíveis, onde cada pessoa da família poderá expressar livremente aquilo que pensa, principalmente sobre as impressões pessoais uns dos outros.
Assim o filho teria zona franca para levar aos seus pais seus descontentamentos e vice-versa.
A grande verdade em que o egoísmo do homem ainda grita forte no peito de cada um. O jovem passa a ver os pais e a sociedade muito distantes. Outra frase que acomoda o homem é aquela que diz “Não faça aos outros o que não queres que os outros te façam”. Isto é um convite para a inércia que foi logo combatida por Jesus quando a retificou dizendo “Faça aos outros aquilo que quereis que os outros te façam”. Vejam que existe profunda modificação conceitual.
Enquanto a primeira sugere não fazer, a outra leva o homem a redenção de se por a campo buscando realizar o melhor possível para que tudo reverta a seu benefício. O não faça da primeira frase é um bom convite ao ostracismo e a irresponsabilidade. O núcleo familiar é algo sério e não pode ficar à deriva como um barco sem condutor. Cabe aos pais, realizar reuniões semanais com sua família a fim de trocarem informações e buscar mais identificação um com os outros. Tais reuniões devem ser as mais formais possíveis, onde cada pessoa da família poderá expressar livremente aquilo que pensa, principalmente sobre as impressões pessoais uns dos outros.
Assim o filho teria zona franca para levar aos seus pais seus descontentamentos e vice-versa.
Texto de Wilson Focássio
terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
PACIÊNCIA - CONQUISTA DA CONFIANÇA
Em todos os tentames da vida somos impulsionados à prática da paciência.
Nas negociações diárias necessitamos de serenidade, compreensão e tolerância,
sem isso corremos sérios riscos de realizarmos péssimos negócios.
Na convivência com o próximo, muitas vezes somos convidados a calarmos para
que o nosso silêncio seja o caminho da harmonia.
Todo trabalho profissional exige de cada um de nós paciência, no estudo, no
estágio, no exercício legal da profissão, tudo na vida, naturalmente nos concita
à paciência, até parece que ela deve ser a nossa eterna companheira.
No entanto não devemos confundir paciência com aprovação ao desequilíbrio,
quando calamos diante do agressor esfaimado, não significa que somos mais fracos
do que ele e sim que não somos igual a ele, já acreditamos que podemos dar um
tempo para ele se refazer.
Quando perdoamos o delinqüente, não queremos dizer que ele esteja certo, mas
acreditamos que ele merece uma nova oportunidade.
Quando decidimos continuar junto ao familiar incompreensível e irritado, não
queremos aprovar a sua personalidade equívoca, mas dizermos a ele com nossa vida
que somos capazes de perdoá-lo.
Ao sentirmos a necessidade do bem para todos, pautamos nossas atitudes numa
posição confiante e superamos com mais facilidade as adversidades da vida. Com
paciência ou sem ela teremos que viver, já que nos facilita o entendimento e a
compreensão do outro e de nós mesmos, é inteligível que a abracemos com sua
função educadora. Melhor suportar hoje e sermos livres amanhã, do que volvermos
à mesma experiência.
A paciência nos permite isso:
Diante da dor, paciência.
Diante da incompreensão, paciência.
Diante dos conflitos, paciência.
Diante do agressor, paciência.
Diante da vida, paciência.
Isso é possível, a paciência reflete toda a confiança que temos em Deus e nas
Leis Divinas.
Texto de Joanira Necas Soares
(Jornal Verdade e Luz Nº 192 Janeiro de 2002)
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013
APARÊNCIAS

Não acuse o irmão que parece mais abastado. Talvez seja simples escravo de compromissos.
Não condene o companheiro guindado à autoridade. É provável seja ele mero devedor da multidão.
Não inveje aquele que administra, enquanto você obedece. Muitas vezes, é um torturado.
Não menospreze o colega conduzido a maior destaque. A responsabilidade que lhe pesa nos ombros pode ser um tormento incessante.
Não censure a mulher que se apresenta suntuosamente. O luxo, provavelmente, lhe constitui amarga provação.
Não critique as pessoas gentis que parecem insinceras, à primeira vista. Possivelmente, estarão evitando enormes crimes ou grandes desânimos.
Não se agaste com o amigo mal-humorado. Você não lhe conhece todas as dificuldades íntimas.
Não se aborreça com a pessoa de conversação ainda fútil. Você também era assim quando lhe faltava experiência.
Não murmure contra os jovens menos responsáveis. Ajude-os, quanto estiver ao seu alcance, recordando que você já foi leviano para muita gente.
Não seja intolerante em situação alguma. O relógio bate, incessante, e você será surpreendido por inúmeros problemas difíceis em seu caminho e no caminho daqueles que você ama.
Da obra: Agenda Cristã.
Ditado pelo Espírito André Luiz/ Francisco Cândido Xavier.
Edição de Bolso. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 1999.
domingo, 10 de fevereiro de 2013
ACORDEMOS
| É sempre fácil examinar as consciências alheias, identificar os erros do próximo, opinar em questões que não nos dizem respeito, indicar as fraquezas dos semelhantes, educar os filhos dos vizinhos, reprovar as deficiências dos companheiros, corrigir os defeitos dos outros, aconselhar o caminho reto a quem passa, receitar paciência a quem sofre e retificar as más qualidades de quem segue conosco...
Mas enquanto nos distraimos, em tais incursões a distância de nós mesmos, não passamos de aprendizes que fogem, levianos, à verdade e à lição. Enquanto nos ausentamos do estudo de nossas próprias necessidades, olvidando a aplicação dos princípios superiores que abraçamos na fé viva, somos simplesmente cegos do mundo interior relegados à treva... Despertemos, a nós mesmos, acordemos nossas energias mais profundas para que o ensinamento do Cristo não seja para nós uma bênção que passa, sem proveito à nossa vida, porque o infortúnio maior de todos para a nossa alma eterna é aquele que nos infelicita quando a graça do Alto passa por nós em vão!... |
|
Ditado pelo Espírito André Luiz. Araras, SP: IDE, 1978. |
sábado, 9 de fevereiro de 2013
DOLORIDA OCORRÊNCIA
Agora que a poeira assentou, dirijo-me aos leitores
que me perguntaram sobre o lamentável e duro episódio de Santa Maria-RS.
Também, como qualquer ser humano, comovi-me às lágrimas diante do episódio tão comovente e cortante ao coração.
As especulações foram muitas, as notícias fartamente exploradas, muita bobagem foi dita tentando explicar o acontecimento. O fato é que vários fatores, e nem é preciso repetir aqui, desencadearam a tragédia. E não adianta agora procurar culpados, é um fato consumado. Deixemos que o tempo responda às nossas dúvidas doídas.
O que é importante nesse momento é a vibração amiga em favor dos pais, cortados pela dor que não podemos imaginar. A prece em favor deles é, aliás, nosso dever, para que sintam ao menos o conforto da solidariedade.
Não temos condições de fechar a questão, pois nos faltam informações que fogem à alçada de simples mortais e limitada condição humana. Por mais que tentemos explicar, sempre faltará um componente cuja origem desconhecemos. Aliás, todos desconhecemos a história de cada vítima, de cada família, de cada jovem que ali sucumbiu. E não me refiro à história presente, mas à bagagem trazida de outras experiências.
As razões, pois, são muitas. Estão presentes no episódio quadros de provas (degraus de crescimento para pais e filhos), de consequências do passado (também para pais e filhos) e necessidade de aprendizados (igualmente para todos os envolvidos), que não temos como definir quais especificamente, nem para quem.
É muita leviandade declarar que todas as vítimas estão pagando erros do passado. Claro que há casos assim, mas como definir? Muitos deles podem inclusive ter solicitado passarem por tais situações para algum aprendizado que não temos como alcançar. E muitas vezes alguns casos foram para despertar familiares, a sociedade, e há casos em que não havia tais necessidades citadas, mas foram vividas por circunstâncias que nos escapam completamente.
Como, pois, querer explicar fechando a questão? Não temos acesso às razões de Deus, que são sábias, justas e misericordiosas. Aliás, a misericórdia de Deus está sempre presente em qualquer situação, socorrendo os filhos. Estes, normalmente, em casos assim, nada sentem, porque são amplamente amparados por equipes espirituais especificamente preparadas para essa finalidade.
Deus permite tais casos para nos despertar dessa letargia de insensibilidade, para promover o progresso moral que surge espontâneo na solidariedade e igualmente impacta a sociedade com providências normalmente esquecidas pela leviandade humana, de cidadãos ou autoridades.
O que nos deve nortear o pensamento e a emoção é pensar na Bondade de Deus, que nunca abandona seus filhos. As vítimas e suas famílias estão amparados, apesar do momento muito doloroso. Confiar, pois, aguardar o tempo, sem guardarmos revolta. E ao mesmo tempo nos lembrarmos carinhosamente de todos eles, já acolhidos bondosamente em estâncias superiores de socorro.
Se algo podemos fazer, isso sim, é manter atenção aos locais que frequentamos ou dirigimos, como funcionários ou proprietários, para sempre pensar na questão da segurança pessoal daqueles que ali frequentam, pois o episódio igualmente nos mostra isso.
Em linhas gerais, notemos que o episódio provocou impacto material e moral em toda a sociedade brasileira. É a sabedoria de Deus que permite tais fatos, nunca por capricho ou abandono, mas como lições necessárias ao nosso crescimento. O impacto maior fica por conta da quantidade de vítimas, mas o corpo nada mais é que uma veste. O espírito é o ser principal e que sobrevive à morte do corpo. Há razões que podemos especular, mas nunca poderemos fechar questão pois nos faltam itens históricos que não temos acesso. Então, respeitemos a ocorrência, tirando as lições que nos cabem. Estamos todos aprendendo.
Todos voltarão um dia à pátria de origem. Todo dia tem gente voltando ou chegando. Aprendamos a enxergar além das aparências e unamos os pensamentos em prece em favor de todos os envolvidos nesse triste episódio da história brasileira, que, embora muito dolorido no presente, deixa lições vivas para todos, para um futuro de felicidade e harmonia. E não nos deixemos impressionar por especulações em fundamento.
As especulações foram muitas, as notícias fartamente exploradas, muita bobagem foi dita tentando explicar o acontecimento. O fato é que vários fatores, e nem é preciso repetir aqui, desencadearam a tragédia. E não adianta agora procurar culpados, é um fato consumado. Deixemos que o tempo responda às nossas dúvidas doídas.
O que é importante nesse momento é a vibração amiga em favor dos pais, cortados pela dor que não podemos imaginar. A prece em favor deles é, aliás, nosso dever, para que sintam ao menos o conforto da solidariedade.
Não temos condições de fechar a questão, pois nos faltam informações que fogem à alçada de simples mortais e limitada condição humana. Por mais que tentemos explicar, sempre faltará um componente cuja origem desconhecemos. Aliás, todos desconhecemos a história de cada vítima, de cada família, de cada jovem que ali sucumbiu. E não me refiro à história presente, mas à bagagem trazida de outras experiências.
As razões, pois, são muitas. Estão presentes no episódio quadros de provas (degraus de crescimento para pais e filhos), de consequências do passado (também para pais e filhos) e necessidade de aprendizados (igualmente para todos os envolvidos), que não temos como definir quais especificamente, nem para quem.
É muita leviandade declarar que todas as vítimas estão pagando erros do passado. Claro que há casos assim, mas como definir? Muitos deles podem inclusive ter solicitado passarem por tais situações para algum aprendizado que não temos como alcançar. E muitas vezes alguns casos foram para despertar familiares, a sociedade, e há casos em que não havia tais necessidades citadas, mas foram vividas por circunstâncias que nos escapam completamente.
Como, pois, querer explicar fechando a questão? Não temos acesso às razões de Deus, que são sábias, justas e misericordiosas. Aliás, a misericórdia de Deus está sempre presente em qualquer situação, socorrendo os filhos. Estes, normalmente, em casos assim, nada sentem, porque são amplamente amparados por equipes espirituais especificamente preparadas para essa finalidade.
Deus permite tais casos para nos despertar dessa letargia de insensibilidade, para promover o progresso moral que surge espontâneo na solidariedade e igualmente impacta a sociedade com providências normalmente esquecidas pela leviandade humana, de cidadãos ou autoridades.
O que nos deve nortear o pensamento e a emoção é pensar na Bondade de Deus, que nunca abandona seus filhos. As vítimas e suas famílias estão amparados, apesar do momento muito doloroso. Confiar, pois, aguardar o tempo, sem guardarmos revolta. E ao mesmo tempo nos lembrarmos carinhosamente de todos eles, já acolhidos bondosamente em estâncias superiores de socorro.
Se algo podemos fazer, isso sim, é manter atenção aos locais que frequentamos ou dirigimos, como funcionários ou proprietários, para sempre pensar na questão da segurança pessoal daqueles que ali frequentam, pois o episódio igualmente nos mostra isso.
Em linhas gerais, notemos que o episódio provocou impacto material e moral em toda a sociedade brasileira. É a sabedoria de Deus que permite tais fatos, nunca por capricho ou abandono, mas como lições necessárias ao nosso crescimento. O impacto maior fica por conta da quantidade de vítimas, mas o corpo nada mais é que uma veste. O espírito é o ser principal e que sobrevive à morte do corpo. Há razões que podemos especular, mas nunca poderemos fechar questão pois nos faltam itens históricos que não temos acesso. Então, respeitemos a ocorrência, tirando as lições que nos cabem. Estamos todos aprendendo.
Todos voltarão um dia à pátria de origem. Todo dia tem gente voltando ou chegando. Aprendamos a enxergar além das aparências e unamos os pensamentos em prece em favor de todos os envolvidos nesse triste episódio da história brasileira, que, embora muito dolorido no presente, deixa lições vivas para todos, para um futuro de felicidade e harmonia. E não nos deixemos impressionar por especulações em fundamento.
Orson Peter Carrara
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
CARNAVAL
Fevereiro é o mês do carnaval, que se constitui em uma série de folguedos populares,
promovidos habitualmente nos três dias que antecedem o início da quaresma.
Em torno do mesmo centro de interesse - o disfarce, a dança, o canto e o gozo
de certas liberdades de comunicação humana, inexistentes ou muito refreadas durante
o resto do ano - a folia carnavalesca se apresenta com características distintas
nos diferentes lugares em que se popularizou, vindo da Itália, especialmente de
Roma, o modelo mais famoso.
De origem obscura, o mais provável é que se assente em raízes de festividades
primitivas, de caráter religioso, em honra à volta da primavera. Mais concretamente,
é possível se localizem suas origens em celebrações da Antigüidade, de caráter orgíaco,
a exemplo das "bacanalia" da Grécia, festa em honra ao deus Dionísio.
Contudo, antes disso, os trácios se entregavam aos prazeres coletivos, como quase
todos os povos antigos. E, em Roma, vamos encontrar estas festas como "saturnalia",
quando se imolava uma vítima humana. Era uma festa de infeliz caráter pagão.
No Antigo Testamento, encontramos referências no Livro de Ester, especialmente
no capítulo IX, que descreve como, graças à intervenção da rainha Ester junto ao
rei Assuero os judeus acabam por massacrar os seus inimigos, atividade que durou
dois dias inteiros, 13 e 14 do mês de Adar, cessando no dia quinze. Por essa razão,
se estabeleceu que se solenizasse a data com banquetes e regozijos, conforme se
lê no versículo 19: "Os Judeus, porém, que habitavam nas cidades sem muros e
nas aldeias, destinaram o dia catorze do mês de Adar para banquetes e regozijos,
de modo que neste dia fazem grandes divertimentos, e mandam uns aos outros alguma
coisa dos seus banquetes e iguarias."
A data ficou assinalada como dias de Furim, isto é, das sortes, referindo-se
ao Fur, a sorte que fora lançada e da qual eles, os Judeus, haviam saído vitoriosos.
Na Idade Média , já era aceito o Carnaval com naturalidade, configurando o enlouquecimento
lícito uma vez por ano. As relações dos carnavalescos com a Igreja não foram cordiais,
tendo se pronunciado doutores e Papas contra os tantos desregramentos da festividade.
Contudo, o que prevaleceu foi uma atitude geral de tolerância, ficando inclusive
por conta da Igreja a fixação da data do período momesco. O carnaval antecede a
Quaresma, finalizando-se num dia de penitência, com a tristeza das cinzas.
A festa tem vestígios bárbaros e do primitivismo reinantes ainda na terra. No
Brasil colonial e monárquico a forma mais generalizada de brincar o carnaval era
o entrudo português.
Consistia em atirar contra as pessoas, não apenas água, mas provisões de pós
ou cal. Mais tarde, água perfumada com limões, vinagre, groselha ou vinho. O objetivo
sempre era sujar o passante desprevenido. Como se vê, uma brincadeira perigosa e
grosseira.
A morte definitiva do entrudo se deu com o aparecimento do confete, a serpentina
e o lança-perfume.
O que se observa nestes três dias de loucura, em que a carne nada vale, é o afloramento
das paixões.
Observam-se foliões que se afadigam por longos meses na confecção das fantasias.
Tudo para viver a psicosfera da ilusão. Perseguem vitórias vazias que esperam alcançar
nestes dias. Diversos se mostram exaustos, física e emocionalmente. Alguns recorrem
a fortes estimulantes para o instante definitivo do desfile. Consomem tempo e dinheiro,
que poderiam ser aplicados na manutenção da vida e salvação de muitas vidas.
Mergulham em um fantástico mundo de sonhos. Anseiam por dar autenticidade a cada
gesto, a toda atitude. Usando vestimentas de reis e rainhas, nobres e conquistadores,
personagens de contos, artistas, fariam inveja a todos a quem copiam. Isso se as
vestes e as coroas, os cetros, os mantos e as posturas não fossem todos falsos,
exatamente como falsas são as expressões e vitórias que ostentam.
Diversos desses foliões nem se dão conta que poderão estar a representar a própria
personalidade de vidas passadas.
Uma grande perda de tempo, pois de um modo geral conquistadores, reis, rainhas
e generais que foram, se ainda permanecem na terra, é porque naquelas vidas faliram.
E faliram feio.
Em toda essa festa de loucura, que deixa marcas profundas, pergunta-se se será
mesmo manifestação de alegria, de descontração.
Que alegria é esta que exige fantasias, embriaguez e toda sorte de desregramentos
para se manifestar?
Por isso, face às graves conseqüências do carnaval e suas origens de orgia e
loucura, reflexionemos na exortação do espírito Thereza de Brito: "Numa sociedade
em que a vida familiar tem sido tão difícil, tão escassa, por que não aproveitar
os dias carnavalescos para conviverem bem mais juntos, seja no lar, num sítio arborizado,
nas paisagens refazentes do mar ou da montanha, estreitando os vínculos do carinho,
prestando atenção a tantos lances importantes da vida dos nossos queridos, antes
inobservados?
Não se permitam poluir, pais terrestres, e lutem por preservar os seus filhos
dessa ilusão passageira.
O imediatismo de Momo, os gozos das folias, as alegrias do carnaval tudo isso
se desvanecerá, como todo fogo fátuo, e deixará os que neles se locupletaram nas
valas da frustração e do arrependimento, mais cedo ou mais tarde.
Vocês, pai e mãe, atentos à nobre tarefa de educar seus rebentos, envolvam-nos
com seu amor e sua assistência para que eles amadureçam assim, e a harmonia atinja
mais rapidamente os arraiais do mundo, transformando as paixões inferiores em prazer
renovador e são."
Maria Helena Marcon
Fontes:
- Nas fronteiras da loucura - Divaldo P. Franco/Manoel P. de Miranda - cap. 6 e 15.
- Vereda familiar - J. Raul Teixeira/Thereza de Brito - cap. 14.
- Enciclopédia Mirador Internacional, volume 5 - verbete: Carnaval
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![Dói muito mais arrancar um cabelo de um europeu
que amputar uma perna, a frio, de um africano.
Passa mais fome um francês com três refeições por dia
que um sudanês com um rato por semana.
É muito mais doente um alemão com gripe
que um indiano com lepra.
Sofre muito mais uma americana com caspa
que uma iraquiana sem leite para os filhos.
É mais perverso cancelar o cartão de crédito de um belga
que roubar o pão da boca de um tailandês.
É muito mais grave jogar um papel ao chão na Suíça
que queimar uma floresta inteira no Brasil.
É muito mais intolerável o xador de uma muçulmana
que o drama de mil desempregados em Espanha.
É mais obscena a falta de papel higiênico num lar sueco
que a de água potável em dez aldeias do Sudão.
É mais inconcebível a escassez de gasolina na Holanda
que a de insulina nas Honduras.
É mais revoltante um português sem celular
que um moçambicano sem livros para estudar.
É mais triste uma laranjeira seca num kibutz hebreu
que a demolição de um lar na Palestina.
Traumatiza mais a falta de uma Barbie de uma menina inglesa
que a visão do assassínio dos pais de um menino ugandês
e isto não são versos; isto são débitos
numa conta sem provisão do Ocidente.
*
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FOTO :
Ghandi, em 1940, oferecendo 15 minutos diários de massagem num leproso.](https://fbcdn-sphotos-a-a.akamaihd.net/hphotos-ak-prn1/s480x480/555775_3808319626488_1694649116_n.jpg)


