sábado, 11 de agosto de 2012

A sua (Ver)dade
"Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará"- João 8:32

     O autoconhecimento é o suprassumo da evolução, graças ao conhecimento entre o bem e o mal, através de seu livre arbítrio, você adquire a cidadania de homem de bem. Sendo oportuno recordarmos algumas características comuns para este nível de evolução. A predominância do bem passa ser sua conduta, sem se PREOCUPAR com o que é errado, por estar Ocupado em fazer o bem e que por sua vez, sabe que tudo tem seu tempo. Assim como um dia resolveu mudar para não mais sofrer, sabe que os outros também um dia conhecerão a verdade. E esta verdade nunca é usada para difamar a quem quer que seja... Dias atrás estava rolando no FACEBOOK uma analogia que a meu ver, não combina com que aprendemos no Espiritismo. Colocaram a meiga figura de Chico Xavier fazendo comparações com um membro de outra religião, que segundo alguns veículos de comunicação, cometeu alguns equívocos, que não cabe aqui nenhuma referência... Mas será que nós precisamos fazer algum alarde com os erros dos outros? Não deveríamos divulgar tão somente o que é bom? Ou o que sirva de bom exemplo? E outra, será que Francisco Candido Xavier apoia essas atitudes?
     Acredito que não. As abelhas podem passar pelo lixo, mas o que lhes chama atenção são as flores... Moscas ignoram as flores e procuram o lixo.
     Recordemos de Jesus que nos chama atenção: “A cada um segundo suas obras”. Ser Espírita com “E” maiúsculo é para quem deixou o Espiritismo entrar em si.
     O Conhecimento ou sua compreensão não lhe faz um focado em ver os erros alheios, pelo contrário, o homem de bem admira os que realmente são exemplos dignos, tendo como modelo      Superior nosso Senhor Jesus Cristo.
     Todo aquele que vive sob a custódia do ódio sofre consequências horríveis, onde se colhe aquilo que se planta, ou seja, a lei de causa e efeito...
     A base de todo sofrimento é a falta de compreensão das LEIS UNIVERSAIS que não raro gera revolta por parte daquele que pratica um delito, assumindo um comportamento não convencional com o que recebe da vida. Sendo ingrato com a mesma, dessa forma, acaba esbarrando nas mazelas pessoais e procura um RESPONSÁVEL pelo seu problema. E acredite, não perca tempo em procurar, pois encontrará a si mesmo. Você é responsável por sua conduta, seja para bem ou mal, você é o autor de suas virtudes ou de seus vícios.
     Para aquele que está estagnado em aborrecimentos e vive em meio aos problemas, tais como polêmicas que giram em torno de seus procedimentos, pare e reflita: em que escala você se encontra? Na Revista Espírita de fevereiro de 1858 encontramos a seguinte referência logo no primeiro parágrafo:
     “Caracteres gerais. - Predominância da matéria sobre o Espírito. Propensão ao mal. Ignorância, orgulho, egoísmo e todas as más paixões que lhes são a consequência. Têm intuição de Deus, mas não o compreendem.”
Isso é muito claro quando observamos episódios que são soltos hoje em dia pela mídia, ou pela internet, casos que não dá para acreditar, tamanha é sua barbárie, que não vem o caso aqui citá-los, mas que estão acontecendo.
     Por isso em verdade lhe digo, só existe um caminho para sair dessa prisão que mantém muitos aprisionados ao sofrimento. É uma formula bem simples, GCEE, Gerando Comportamento Espírita Exemplar.  Que você pode encontrar no Evangelho segundo o Espiritismo. No capitulo XX item 4 – Missão dos Espíritas. Dê uma olhadinha no último parágrafo desse item:
     “Perguntareis, então: Se entre os chamados para o Espiritismo, muitos se transviaram, como reconhecer os que se acham no bom caminho?
      Responderemos: Podeis reconhecê-los pelos ensinos e a prática dos verdadeiros princípios da caridade; pela consolação que distribuírem aos aflitos; pelo amor que dedicarem ao próximo; pela sua abnegação e o seu altruísmo. Podeis reconhecê-los, finalmente, pela vitória dos seus princípios, porque Deus quer que a sua lei triunfe, e os que a seguem são os escolhidos, que vencerão. Os que, porém, falseiam o espírito dessa lei, para satisfazerem sua vaidade e sua ambição, esses serão destruídos.”
     O conhecimento é um processo observativo que leva o individuo para a verdade de planejamentos, ponderando o que é o bem e o mal. E à medida que assimila entra no gozo da liberdade.
     A verdade que prega o Espiritismo não precisa acusar a ninguém para se sobressair, só existe uma Verdade, aquela que não ofende a ninguém quando revelada, o resto são apenas fragmentos de opiniões pessoais.
     Qual é a sua verdade, aquela anunciada por Jesus e Esclarecida pelo Espiritismo ou a verdade do “Achismo”?
      Pense bem, pois a primeira te liberta de si mesmo e a segunda te aprisiona na cela dos orgulhosos e egoístas.
      Você é militante do Espiritismo ou praticante do “Achismo”?
   
Célio Faria

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

MEU PAI. MEU HERÓI!

Um dia, quando você me ergueu nos braços, elevando-me acima da sua cabeça, descobri que você queria que eu percebesse o mundo de um ponto de vista muito abrangente.
Quando comecei a ensaiar meus primeiros passos, com a musculatura das pernas ainda frágil, você me sustentou segurando-me a mão, e entendi que você não desejava me carregar no colo para sempre: queria que eu andasse com as próprias pernas.
Quando entrei em casa pela primeira vez, ofegante, me queixando dos amigos, você disse para eu me acertar com eles, e compreendi que deveria assumir a responsabilidade pelos meus próprios atos.
Quando trouxe para casa minha primeira lição e você se sentou ao meu lado, orientando-me, mas não fez a lição para mim, entendi que você desejava que o aprendizado fosse uma conquista minha.
No dia em que alguns objetos alheios foram parar em minha mochila escolar, você, sem me ofender, me pediu para devolver ao legítimo dono, e compreendi que você queria fazer de mim uma pessoa honesta.
Quando, um dia, meus amigos saíram da sala e tracei alguns comentários maldosos sobre eles, e você me disse que não devemos falar mal das pessoas ausentes, aprendi as lições da sinceridade e do respeito.
Nos momentos difíceis, você estava sempre ao meu lado para me apoiar, e nas horas alegres não me faltou o seu abraço para compartilhar.
Quando fraquejei diante do primeiro embate da vida, você me falou de coragem...
Quando chorei as lágrimas provocadas pelo primeiro sofrimento, você me falou de resignação...
Quando desejei fugir dos compromissos que se apresentavam, você me falou de responsabilidade...
Quando pensei em mentir para um amigo, você me falou de fidelidade...
Quando senti em minha alma os açoites dos primeiros vendavais, você me falou de flexibilidade, e aprendi a me dobrar para não quebrar, como o pequeno ramo verde faz diante dos golpes do vento.
Quando você pressentiu em meu olhar a insinuação da vingança, me falou do perdão...
Quando desejei salvar o mundo, nos ardentes dias da juventude, você me ensinou a moderação e o bom senso.
Quando quis me submeter aos modismos do grupo, você me falou de liberdade.
Quando me iludi, pensando que o mundo era meu, você me falou do Criador do Universo...
Assim, meu pai, desejo dizer que você sempre foi meu herói, meu amigo, meu grande mestre, meu companheiro de caminhada...
Você foi firme, quando era de firmeza que eu precisava...
Você foi terno, quando era de ternura que eu necessitava... Você foi lúcido, quando era de lucidez que eu precisava...
Quando eu cheguei a este mundo, não sabia ao certo o que estava fazendo aqui, até que percebi que havia alguém para me orientar na jornada...
Hoje, bem, hoje eu sei claramente o que estou fazendo aqui, porque você, meu pai, fez mais que apenas me orientar, você caminhou ao meu lado muitas vezes, me seguiu de perto outras tantas, e andou à minha frente muitas outras, deixando rastros de luz, como diretrizes seguras que eu pudesse seguir.
Hoje eu sei muito bem o papel que me cabe na construção de um mundo melhor, porque isso eu aprendi com você, meu grande e admirado amigo...
E quando eu vejo tantos jovens perdidos, sem rumo e sem esperança, vagando entre a violência e a morte, eu peço a Deus por eles, porque é bem possível que não tenham tido a felicidade de ter um pai como você...
E peço a Deus por você, papai, meu grande amigo.
Redação do Momento Espírita.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Ter Filhos e Ser Pai

Ter Filhos e Ser PaiVocê tem filhos?
Se a resposta for positiva, então responda: Você é pai?
Ora, alguns pensarão que ter filhos e ser pai é a mesma coisa, mas uma reflexão mais detida nos mostrará a diferença.
Para ter filhos basta estar apto à reprodução e entregar-se à conjunção carnal para procriar.
Para ser pai é preciso alguns cuidados a mais.
Há pouco tempo, uma revista tratou do assunto retratando algumas dificuldades, principalmente com relação a empresários e executivos que têm filhos e que não são pais.
Geralmente chegam em casa e não se dão conta de que já saíram dos seus escritórios.
Esquecem-se de sintonizar os sentimentos afetivos e continuam dando ordens, como se a esposa fosse a secretária e os filhos seus subalternos. Não mudam nem o tom de voz.
Uma estatística da revista Fortune atesta a dramática dimensão desse problema.
Revela que filhos de empresários e executivos de alto nível apresentam graus de desajustes bem maiores que os dos outros pais, inclusive os de famílias financeiramente menos abastadas.
No livro The parent’s handbook, ou Manual dos pais, em português, um dos livros mais vendidos nos Estados Unidos, dois especialistas tratam do tema com grande competência.
Estabelecem, entre outras coisas, sete regras básicas para ser um bom pai:
1ª - Comporte-se naturalmente. Dê atenção na medida certa. Se você exagerar com freqüência, quando por qualquer motivo reduzir sua atenção, seu filho se sentirá desprezado.
2ª - Diga sempre ao seu filho que você o ama. Principalmente quando ele não espera esse tipo de declaração. Não economize nos gestos. Beijos, carinhos, abraços, emoção, muitas vezes valem mais que uma dezena de atitudes.
3ª - Vale mais encorajar do que repreender; incentivar do que premiar. Dizer com sinceridade: Eu confio na sua capacidade de decisão, eu aposto no seu discernimento.
4ª - Ouça seu filho! (talvez a mais importante das recomendações). Aprenda a ouvir o que ele tem a dizer. Ouça tudo e até o fim.
Não interrompa, não conclua nem o obrigue a concluir no meio do relato. Mais do que a sua opinião, ele quer contar para você...
5ª - Mesmo diante de uma aparente falta grave, procure não criticá-lo duramente. Deixe que ele lhe dê as próprias razões.
Se você não se convencer, tente refletir em conjunto, ajudando-o a perceber o que o levou a errar, tornando-o capaz de identificar o erro.
6ª - Por mais certeza que você tenha do que vai acontecer, nos casos que não haja risco à integridade de seu filho, permita que ele experimente e conclua por si mesmo. O melhor aprendizado ainda é o da própria experiência.
7ª - Trate seu filho com a mesma educação e cordialidade que você reserva para seus amigos. Agindo assim, por certo ele acabará se tornando o melhor de todos os seus amigos.
Não se resumem aqui todas as regras para se ser um bom pai, mas aqueles que as observarem já terão dado passos largos no caminho que a todas as outras conduz.
* * *
Todo filho é empréstimo sagrado que deve ser valorizado e melhorado pelo cinzel do amor dos pais, para oportuna devolução ao Genitor Celeste.
Com base na Revista Factus

terça-feira, 7 de agosto de 2012

A REGRA ÁUREA



“Amarás o teu próximo como a ti mesmo.” — Jesus. (MATEUS, capítulo 22, versículo 39.)

Incontestavelmente, muitos séculos antes da vinda do Cristo já era ensinada no mundo a Regra Áurea, trazida por embaixadores de sua sabedoria e misericórdia. Importa esclarecer, todavia, que semelhante princípio era transmitido com maior ou menor exemplificação de seus expositores.

Diziam os gregos: “Não façais ao próximo o que não desejais receber dele.”

Afirmavam os persas: “Fazei como quereis que se vos faça.”

Declaravam os chineses: “O que não desejais para vós, não façais a outrem.”

Recomendavam os egípcios: “Deixai passar aquele que fez aos outros o que desejava para si.”

Doutrinavam os hebreus: “O que não quiserdes para vós, não desejeis para o próximo.”

Insistiam os romanos: “A lei gravada nos corações humanos é amar os membros da sociedade como a si mesmo.”

Na antiguidade, todos os povos receberam a lei de ouro da magnanimidade do Cristo.

Profetas, administradores, juízes e filósofos, porém, procederam como instrumentos mais ou menos identificados com a inspiração dos planos mais altos da vida. Suas figuras apagaram-se no recinto dos templos iniciáticos ou confundiram-se na tela do tempo em vista de seus testemunhos fragmentários.

Com o Mestre, todavia, a Regra Áurea é a novidade divina, porque Jesus a ensinou e exemplificou, não com virtudes parciais, mas em plenitude de trabalho, abnegação e amor, à claridade das praças públicas, revelando-se aos olhos da Humanidade inteira.


Emmanuel

Do livro Caminho, Verdade e Vida, de Francisco Candido Xavier, pelo Espírito Emmanuel.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

O Espiritismo Não  Faz Milagres 
Rogério Coelho - Muriaé/MG
 
“(...) O Espiritismo vem, a seu turno, fazer o que  cada ciência fez no seu advento: revelar  novas leis e explicar os fenômenos  na alçada dessas leis”.
Allan Kardec
 
Certa feita, um eclesiástico dirigiu a seguinte pergunta ao Mestre Lionês: “Todos aqueles que tiveram missão de Deus de ensinar a verdade aos homens, provaram sua missão por milagres. Por quais milagres provais a verdade de vosso ensinamento?”
 
A resposta de Kardec não se fez esperar 2:
 
“(...) Confessamos – humildemente -, que não temos o menor milagre a oferecer; dizemos mais: O Espiritismo não se apóia sobre nenhum fato miraculoso; seus adeptos nunca fizeram e não têm a pretensão de fazer nenhum milagre; não se crêem bastante dignos para que, à sua voz, Deus mude a ordem eterna das coisas. O Espiritismo constata um fato material, o da manifestação das almas ou Espíritos. Esse fato é real, sim ou não? Aí está toda a questão; ora, nesse fato, admitindo como verdadeiro, nada há de miraculoso. Como as manifestações desse gênero, tais como as visões, aparições e outras, ocorreram em todos os tempos, assim como atestam as histórias, sagradas e profanas, e os livros de todas as religiões, outrora puderam passar por sobrenaturais; mas hoje que se lhes conhece a causa, que se sabe que se produzem em virtude de certas leis, sabe-se também que lhes falta o caráter essencial dos fatos miraculosos, o de fazer exceção à lei comum.
 
Essas manifestações, observadas em nossos dias com mais cuidado do que na antigüidade, observadas sobretudo sem prevenção, e com a ajuda de investigações tão minuciosas quanto as que se aplicam no estudo das ciências, têm por conseqüência provar, de maneira irrecusável, a existência de um princípio inteligente fora da matéria, sua sobrevivência aos corpos, sua individualidade depois da morte, sua imortalidade, seu futuro feliz ou infeliz, por conseguinte, a base de todas as religiões.
 
Se a verdade não fosse provada senão por milagres, poder-se-ia perguntar: Por que os sacerdotes do Egito, que estavam no erro, reproduziram diante do Faraó aquilo que Moisés fez? Por que Apolônio de Tiana, que era pagão, curava pelo toque, devolvia a visão aos cegos, a palavra aos mudos, predizia as coisas futuras e via o que se passava à distância? O próprio Cristo não disse: "Haverá falsos profetas que farão prodígios"?
 
(...) Há no Espiritismo duas coisas: o fato da existência dos Espíritos e de suas manifestações, e a doutrina que disso decorre. O primeiro ponto não pode ser posto em dúvida senão por aqueles que não viram ou que não quiseram ver; quanto ao segundo, a questão é saber se essa doutrina é justa ou falsa: é um resultado de apreciação.
 
(...) Considerai o Espiritismo, se o quiserdes, não como uma revelação divina, mas como a expressão de uma opinião pessoal, a tal ou tal Espírito, a questão é saber se ela é boa ou má, justa ou falsa, racional ou ilógica. A que se reportar para isso? É ao julgamento de um indivíduo? De alguns indivíduos mesmo? Não; porque, dominados pelos preconceitos, as idéias preconcebidas, ou os interesses pessoais, podem se enganar. O único, o verdadeiro juiz, é o público, porque ali não há o interesse de associação. Além disso, nas massas há um bom senso inato que não se engana. A lógica sã diz que a adoção de uma idéia, ou de um princípio, pela opinião geral, é uma prova de que ela repousa sobre um fundo de verdade.
 
Os Espíritas não dizem, pois: "Eis uma doutrina saída da boca do próprio Deus, revelada a um único homem por meios prodigiosos, e que é preciso impor ao gênero humano." Eles dizem, ao contrário: "Eis uma doutrina que não é nossa, e da qual não reivindicamos o mérito; nós a adotamos porque a achamos racional. Abribuí-lhe a origem que quiserdes: de Deus, dos Espíritos ou dos homens; examinai-a; se ela vos convém, adotai-a; caso contrário, ponde-a de lado."
 
Não se pode ser menos absoluto!
 
O Espiritismo não vem, pois, intrometer-se na religião; ele não se impõe; não vem forçar a consciência, não mais dos católicos do que dos protestantes, dos judeus; ele se apresenta e diz: "Adotai-me, se me achais bom."
 
É culpa dos Espíritas se o acham bom? Se nele se encontra a solução do que se procurava em vão alhures? Se nele se haurem consolações que tornam felizes, que dissipam os terrores do futuro, acalmam as angústias da dúvida e dão coragem para o presente? Não se dirige àqueles a quem as crenças católicas ou outras bastam, mas àqueles que elas não satisfazem completamente, ou que desertaram; em lugar de não mais crer em nada, os conduz a crerem em alguma coisa, e a crer com fervor.
 
Pergunta-se sobre que milagre nós nos apoiamos para crer a Doutrina Espírita boa. Nós a cremos boa, não só porque é nossa opinião, mas porque milhões de outros pensam como nós; porque ela conduz a crer aqueles que não crêem; dá coragem nas misérias da vida. O milagre?! É a rapidez de sua propagação, estranha nos fastos das doutrinas filosóficas; foi por ter, em alguns anos, feito a volta ao mundo, e estar implantada em todos os países e em todas as classes da sociedade; foi por ter progredido, apesar de tudo o que se fez para detê-la, de ultrapassar as barreiras que se lhe opôs; de encontrar um acréscimo de forças nas próprias barreiras. Está aí o caráter de uma utopia? Uma idéia falsa pode encontrar alguns partidários, mas nunca tem senão uma existência efêmera e circunscrita; perde terreno em lugar de ganhá-lo, ao passo que o Espiritismo ganha-o em lugar de perdê-lo. Quando é visto germinar por todas as partes, acolhido por toda a parte como um benefício da Providência, é que ali está o dedo da Providência; eis o verdadeiro milagre, e nós o cremos suficiente para assegurar o seu futuro.
 
(...) Em resumo: O Espiritismo, para se estabelecer, não reivindica a ação de nenhum milagre; não quer, em nada, mudar a ordem das coisas; procurou e encontrou a causa de certos fenômenos, erradamente reputados como sobrenaturais; em lugar de se apoiar no sobrenatural, repudia-o por sua própria conta; dirige-se ao coração e à razão; a lógica lhe abre o caminho”.
 
1- KARDEC, Allan. A Gênese. 43.ed. Rio de Janeiro: FEB, 2003, cap. XIII, item 4, § 1º. 2- KARDEC, Allan. Revue Spirite. Araras: IDE, 1993, p. 40 e seguintes.
 
 
 
 
Rogério Coelho (foto) reside na cidade mineira de Muriaé, situada na Zona da Mata de Minas Gerais. Jornalista por formação, Rogério Coelho já exerceu diversas funções dentro de casas espíritas, desde secretário até diretor do departamento. Atualmente, preside a Sociedade Muriaeense de Estudos Espíritas e prossegue incansável na divulgação do Espiritismo na tribuna e por meio de jornais e vários periódicos espíritas nacionais e estrangeiros, incluindo-se aí “O Clarim”, a “Revista Internacional do Espiritismo”, ambos de Matão-SP, “O Reformador”, da FEB; “Presença Espírita” da Mansão do Caminho, de Salvador; entre outros.

Autor do livro Visão Espírita do Evangelho.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

DEUS NÃO TEM PRESSA!

Você já se deu conta de que Deus não tem pressa?
A pressa é um dos maiores males dos tempos modernos. É como se a Humanidade desejasse acelerar os acontecimentos num período de tempo muito curto.
E a educação das nossas crianças não foge à regra.
Quando nosso filho procede com infantilidade aos cinco anos de idade, por exemplo, dizemos: Por que não se comporta como um homenzinho?
Qualquer pessoa sensata sabe que ele não é um homenzinho. Mas queremos que a criança aja como adulto, não porque seja bom para ela, mas porque é conveniente para nós. Talvez não porque achemos isso certo, mas porque estamos impacientes.
Roubamos os nossos filhos quando os fazemos atravessar às pressas a infância. Também a nós logramos porque perdemos a oportunidade de nos deixar contagiar pela sua inocência, sua curiosidade espontânea, sua admiração natural, sua alegria sem restrições.
Muitas vezes, a nossa impaciência impede o desenvolvimento de grandes inteligências e de grandes almas, porque esquecemos de que a assimilação do bem é um processo lento.
Certa vez, um pai perguntou ao Diretor de uma Universidade se o Currículo Escolar não poderia ser simplificado para que seu filho pudesse ir por um caminho mais curto.
Sem dúvida, respondeu o educador. Tudo depende, porém, do que o senhor queira fazer do seu filho. Quando Deus quer fazer um carvalho, por exemplo, leva cem anos. Quando quer fazer uma abóbora, precisa apenas de três meses.
É comum nos esquecermos de que as engrenagens das nossas vidas estão interligadas com as do Criador. Assim sendo, como os dentes das engrenagens dos planos de Deus são mais fortes do que os das nossas, quando aceleramos mais que Deus, as nossas se quebram. E por essa razão, cansamo-nos, despedaçamo-nos.
A natureza nos oferece muitas indicações de que o nosso ritmo alucinado não é normal.
Quando saímos dos lugares superlotados, fugimos dos horários e andamos por entre as árvores que crescem devagar e as montanhas silenciosas que parecem estar sempre tranquilas, absorvemos um pouco da serenidade e da calma da natureza.
No entanto, não devemos confundir paciência com passividade, inércia, e esperar que tudo seja feito por nós. Paciência é determinação de começar cedo a empregar o tempo para realizar coisas úteis.
A melhor ilustração de tudo isso pode ser o caso da menina que disse à mãe, logo depois que uma senhora de cabelos brancos saiu de sua casa: Se eu pudesse ser uma velha assim, tão simpática e tão boazinha, não me importaria de envelhecer.
Está muito bem, respondeu a mãe. Se você quer ser uma velha assim, convém começar desde já, pois ela não ficou assim às pressas.
* * *
O Sol leva todo o tempo que lhe é necessário para nascer e se pôr. Não é possível apressá-lo.
O gelo no lago se derreterá quando a temperatura do ar for apropriada.
As aves migratórias chegarão e partirão quando estiverem prontas para isso.
Até as invenções, sobre as quais o homem aparentemente exerce absoluto controle, só chegam no tempo próprio, quando a oportunidade amadureceu e a cultura está pronta para recebê-las.
Uma vez mais o Mestre de Nazaré tinha razão ao dizer: Primeiro a erva, depois a espiga, e, por último, o grão cheio na espiga.
Quis com isso dizer que tudo vem a seu tempo, sem pressa nem desespero.
Pensemos nisso!
Redação do Momento Espírita

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

TEM BASE BÍBLICA O ESPIRITISMO, E É DOGMÁTICO O OUTRO CRISTIANISMO


      Pouco se fala da diferença entre os dois cristianismos: o bíblico e o dogmático. Mas até guerras eles já causaram.
       Há dogmas que unem os cristãos. Mas há os que os dividem como os dogmas da Transubstanciação e da infalibilidade papal.
        Os adeptos do cristianismo espírita procuram não ser apenas alunos do excelso Mestre, ou seja, aqueles que só estudam o seu evangelho, mas esforçam-se também para  serem seus discípulos, pois eles têm como princípio religioso e moral a vivência de fato do evangelho. Realmente, o espiritismo segue apenas a Bíblia, superando nisso a Igreja Católica e demais igrejas cristãs. E a doutrina dos espíritos não aceita os dogmas, que foram imaginados e instituídos pelos teólogos com base em interpretações abusivas simbólicas e literais da Bíblia, e isso quando eles não são frontalmente contrários a ela. Por isso, o espiritismo é a religião cristã mais combatida por católicos, protestantes e evangélicos. E há mais um fator que agrava esses ataques. Os líderes religiosos espíritas são voluntários no seu trabalho de divulgação do evangelho. Assim, enquanto os outros líderes religiosos cristãos vivem da sua religião, os líderes cristãos espíritas vivem para a sua religião. Jesus disse que não podemos servir a Deus e a mamom (deus da riqueza). E  exatamente por ser o espiritismo assim diferente, é que o caluniam de macumbaria, feitiçaria, doentes mentais, superstição, charlatanice contato com os demônios (na interpretação ainda errada de muitos cristãos), etc.  Mas como as pessoas, em sua maioria, não estão mais acreditando nessas mentiras e calúnias, muitos líderes religiosos não espíritas estão apelando agora para outra tática, gritando para os quatro cantos do mundo que o espiritismo não é cristão, porque não aceita os dogmas, entre eles o polêmico e politeísta, que quer sustentar que Jesus é outro Deus, dogma esse decretado no tumultuado Concílio Ecumênico de Niceia (325). É um direito que os teólogos ainda tentem sustentar esse dogma, mas também que eles não estranhem que o cristianismo tradicional está, lamentavelmente, em decadência, e que o islamismo está avançando na Europa, continente que sempre foi um terreno fértil para a difusão e crescimento do cristianismo.
     O espiritismo não segue a Bíblia às cegas, pois Deus nos deu a inteligência é para ser usada. A Bíblia contém a palavra de Deus ou dos espíritos, anjos de Deus   trabalhando no seu projeto. (Hebreus 1:14).  E é errado afirmar que a Bíblia é literalmente a palavra de Deus. Esse erro decorre do fato de os teólogos do passado pensarem que todo espírito manifestante na Bíblia fosse o do próprio Deus, quando isso nunca aconteceu.
       E eis um exemplo de que até satanás é confundido com o Espírito do próprio Deus. O Senhor incita Davi a fazer o censo dos israelitas. (2 Samuel 24:1). Mas em outra parte bíblica, é satanás que incita Davi a fazer esse censo. (1 Crônicas 21:1). Também se diz no episódio da sarça ardente (Êxodo 3:7) que foi Deus que falou com Moisés. Mas Paulo Atos (7:30) afirma que foi um anjo, isto é, um espírito.
      O espiritismo, realmente, segue a Bíblia, mas com uma interpretação raciocinada, como é raciocinada também a sua fé.
José Reis Chaves
José Reis Chaves (Belo Horizonte/SP)
estudou para padre na Congregação dos Redentoristas, é formado em Comunicação e Expressão na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. É Escritor, durante vários anos lecionou Português, Literatura, História, Geografia e Latim. É Teósofo, parapsicólogo, biblista, e ao longo de toda a sua vida, o autor vem desenvolvendo pesquisas sobre a Bíblia, as religiões e a Parapsicologia. Por último, passou a estudar o Espiritismo, Doutrina que assimilou com facilidade, tendo em vista o seu longo tempo de estudo da Bíblia, da História e da Teologia Cristãs. Aposentado, atualmente dedica-se ao trabalho de escrever e proferir palestras na área espiritualista, mas principalmente Espírita, por todo o Brasil.
É autor dos livros, entre outros:  “A Reencarnação Segundo a Bíblia e a Ciência”,
“Quando chega a Verdade” e "A Face Oculta das Religiões.